Osama bin Laden advertiu a seus colaboradores sobre uma ''grande operação'' contra os Estados Unidos pouco antes dos ataques suicidas de 11 de setembro, afirmou ontem o primeiro-ministro britânico Tony Blair na Câmara dos Comuns. Blair, que viajou depois para Moscou, onde se entrevistou com o presidente Vladimir Putin, e Islamabad, disse também que a ação mnilitar contra os talebans ''é iminente''.
''Várias pessoas foram chamadas para voltar ao Afeganistão, devido a uma ação programada para 11 de setembro ou próximo dessa data'', declarou Blair. ''Mas o que é mais importante ainda é que um dos principais colaboradores de Bin Laden informou claramente que havia ajudado na preparação dos atentados de 11 de setembro e reconheceu a implicação da organização Al Qaeda'' de Bin Laden, acrescentou o primeiro-ministro britânico.
É a primeira vez que um dirigente ocidental dá detalhes sobre a natureza dos elementos que permitiram a Washington apontar o chefe islamita de origem saudita como o organizador dos atentados que causaram cerca de 5.500 mortos em Nova York e Washington.
Tony Blair destacou que ''não há nenhuma dúvida'' de que Osama bin Laden foi o organizador dos atentados. ''Pelo menos três dos autores dos atentados nos Estados Unidos foram identificados formalmente'' como vinculados a Osama bin Laden, acrescentou Blair, citando informações fornecidas pelos serviços de inteligência e confidenciais.
O primeiro-ministro britânico disse ainda que tem ''elementos de prova ainda mais diretos'', mas que não pode revelá-los para não prejudicar a investigação e por motivos de segurança.
Enquanto isso, o regime dos talebans dá sinais de que está cambaleando, após o anúncio, ontem, pela oposição de que numerosos civis se haviam rebelado no Oeste do país contra a milícia islamita, afetada por milhares de deserções. Um dos principais líderes da rebelião armada afegã, o comandante Ismail Jan, um herói da guerra contra a ocupação soviética, declarou por telefone à AFP que vários civis se rebelaram contra os talebans nas províncias de Ghor e Badghis (Oeste). Também assegurou que nos muros da cidade de Herat (Oeste), apareceram pichações desejando ''morte aos talebans''.
''Cerca de 10 mil civis de Ghor e Herat têm armas da guerra contra os soviéticos e estão dispostos a lutar'', declarou o comandante rebelde, de 54 anos. Segundo ele, esta gente está esperando uma operação da oposição para pegar as armas.

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