Os esforços de Tony Blair para manter sua imagem sem manchas sofreram ontem um duro revés devido à determinação da imprensa e da oposição para esclarecer o ‘‘caso do empréstimo’’, que já provocou a queda de dois ministros de seu governo.
Embora desde quinta-feira o premier decidisse abafar o assunto, aceitando as renúncias do ministro da indústria Peter Mandelson e do secretário de estado das finanças Geoffrey Robinson, nenhum analista achava que o caso seria esquecido no torvelinho das festas.
Ainda que Mandelson admitisse ‘‘um erro de julgamento’’, ao aceitar em 1996 um empréstimo de 373.000 libras esterlinas (625.000 dólares) de Robinson, sem dar conta aos seus colaboradores e ao seu grande amigo Tony Blair, o caso não está encerrado, advertiu a mídia.
Ontem os jornais tentaram provar que Mandelson havia escondido ilegalmente à empresa de crédito imobiliário, com a qual também contratou um empréstimo de 150.000 libras para comprar sua casa, o empréstimo concedido antes por seu amigo Geoffrey Robinson. Esta possível omissão pode desembocar em uma acusação por fraude.
Seja como for, o caso revela de novo os estreitos vínculos entre o New Labour, que chegou triunfalmente ao poder em maio de 1997, e os meios financeiros, com todos os riscos que isto implica.
Há uns meses, a imprensa revelou que, ao excluir a Fórmula 1 da proibição geral de publicidade de cigarro nos eventos esportivos, Downing Street (residência oficial de Blair) retribuía a Bernie Ecclestone o milhão de libras que deu ao Partido Trabalhista durante a campanha.
Nos últimos dias, são os vínculos muito estreitos mantidos pelo governo com o riquíssimo ministro renunciante Geoffrey Robinson que são analisados com minúcia pela imprensa e pela oposição conservadora.

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