Blair pede união e vê desafio em despedida
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terça-feira, 26 de setembro de 2006
Folhapress 
Manchester (Reino Unido) - Foi com bom humor e emoção que o premier britânico, Tony Blair, fez ontem seu último discurso em uma conferência trabalhista como líder do governo e do partido. ''A verdade é que não se pode seguir para sempre. É duro partir, mas também é o correto, para o país e para o partido'', afirmou.
Ovacionado longamente na entrada e na saída, Blair lembrou seus feitos no poder e enumerou os desafios do futuro governo trabalhista, mas não anunciou a data de sua saída nem mencionou sua sucessão.
O premier elogiou Gordon Brown, seu ministro das Finanças e provável sucessor, que discursou ontem apresentando um plano de governo. Mas não o endossou como futuro líder do partido e do país.
Blair, no entanto, mostrou afinidade com Brown ao corroborar a tese, defendida pelo ministro, de que o futuro governo trabalhista será diferente. ''A escala do desafio agora é muito maior do que a que enfrentamos em 1997'', disse, citando o ano em que chegou ao cargo.
Para o premier, o tradicional isolacionismo do Reino Unido não tem lugar no atual cenário. ''Achávamos que poderíamos fechar nossas portas para os problemas do mundo, mas não mais. Não com a globalização, as mudanças climáticas, o terrorismo e a imigração.''
Ao falar da importância das questões internacionais na vida dos britânicos, Blair aproveitou para defender seu apoio ao governo de George W. Bush, alvo de críticas. ''Às vezes é difícil ser o principal aliado dos EUA. Mas nenhum problema internacional, do aquecimento global à Palestina, pode ser solucionado sem eles ou a Europa.''
O premier também reafirmou a necessidade de manter tropas no Afeganistão e no Iraque e rebateu os que acusam sua política externa de incentivar ataques terroristas. ''Não temos culpa desse terrorismo. Ele não resulta de nossa política, é um ataque ao nosso estilo de vida.''


