Blair dá apoio incondicional a Clinton
France PresseRespaldoO primeiro-ministro britânico Tony Blair (e) iniciou ontem sua primeira visita oficial aos EUA: apoio a ClintonÚnico aliado dos Estados Unidos que prometeu apoio pronto e incondicional a um ataque americano contra o Iraque, para obrigar Saddam Hussein a permitir que as equipes de inspeção de armas das Nações Unidas trabalhem sem restrições no país, o primeiro-ministro da Inglaterra Tony Blair iniciou ontem sua primeira visita oficial a Washington reiterando seu respaldo à posição adotada pelo presidente Bill Clinton de recorrer novamente às armas para destruir a capacidade do ditador iraquiano de produzir armas químicas e biológicas.
A ameaça é real (...) porque Saddam Hussein já usou essas armas no passado, disse Blair. Mas o primeiro-ministro britânico procurou usar a confrontação com o Iraque também para ajudar seu anfitrião na batalha mais imediata e incerta que ela trava com a Justiça e na imprensa americanas - em torno do alegado caso com a ex-estagiária da Casa Branca, Mônica Lewinsky.
France PresseForçaO porta-aviões Independence chegou ao Golfo Pérsico ontem, reforçando a determinação de Washington de atacarGostaria de crer que no momento em que estamos nos preparando para uma possível ação militar contra o Iraque as pessoas talvez queiram fazer perguntas sobre isso, disse Blair num programa de televisão, ao ser perguntado sobre a perspectiva de o escândalo sexual em Washington dominar entrevista coletiva que dará com o presidente americano, hoje, na Casa Branca.
Um homem de vida pessoal tida como irrepreensível, Blair deixou claro que o escândalo não diminuiu sua admiração pela capacidade política de Clinton nem pelos sucessos que alcançou na redefinição do papel do Estado além dos clichês da direita e da esquerda e que hoje inspiram as ações do primeiro governo trabalhista da Inglaterra em quase duas décadas.
Clinton e Blair não se mostraram preocupados com as declarações bombásticas que o presidente da Federação Russa, Boris Yeltsin, fez nos últimos dias sobre as possíveis consequências de um ataque contra o Iraque. Ambos disseram que tem estado em contato com o líder russo. Yeltsin está totalmente conosco, afirmou Blair, sem explicar.
Sei que ele deseja muito que uma confrontação militar seja evitada, e eu também, mas, no final, isso depende de Saddam Hussein e não de nós, disse Clinton.
Assessores de Blair indicaram que o primeiro-ministro usaria a considerável influência que sua condição de único aliado de verdade lhe dá junto a Clinton para convencer o presidente americano a usar as próximas duas a três semanas para educar o público sobre a necessidade da represália maciça contra o Iraque.
Na área militar, os preparativos ainda não foram completados. Um grupo anfíbio de assalto com dois mil marines, que já foi mobilizado para a operação, ainda está no Mediterrâneo e até ontem não tinha iniciado seu deslocamento rumo ao Golfo, onde demorará pelo menos dez dias para chegar.
Por fim, o secretário de Defesa, William Cohen, partiu ontem para uma visita aos aliados dos EUA no Golfo, que o levará também a Moscou. Cohen regressará a Washington somente na sexta-feira da semana que vem, o que sugere que nenhuma ordem de fogo será dada pelo menos até lá.
Enquanto isso, os preparativos militares avançam. Ontem, o porta-aviões Independence entrou no Golfo Pérsico, sublinhando a determinação de Washington de levar adiante o ataque. Os EUA têm agora três porta-aviões no Golfo, com 150 aviões embarcados, e um total de 20 navios de guerra carregados de mísseis. Também posicionados estão 175 aviões em bases na Arábia Saudita, Kuwait e Bahrain. A essa força, deve-se acrescentar o porta-aviões inglês Invencible, que entrou no Golfo no mês passado com seu complemento de 19 jatos Harrier e cinco helicópteros de ataque.





