O primeiro-ministro britânico Tony Blair foi censurado ontem por ter concedido a si mesmo um aumento salarial de 47 mil libras (cerca de US$ 70 mil). Dias após ser reeleito, Blair desistiu do congelamento que havia imposto aos altos funcionários do governo durante seu primeiro mandato.
Agora, ele passará a receber anualmente o equivalente a US$ 225 mil, em vez de US$ 160 mil, acatando a sugestão de um organismo de controle de gastos públicos. Os demais membros de seu gabinete, por sua vez, receberão salários anuais equivalentes a US$ 163 mil, em lugar dos US$ 138 mil anteriores.
Os aumentos, concedidos logo após Blair completar a reestruturação de seu gabinete provocaram enérgicas críticas de políticos da oposição e dos sindicatos. ‘‘Foi hipocrisia manter os níveis salariais até depois das eleições’’, comentou Malcolm Bruce, líder dos liberal-democratas.
Ao assumir o governo em 1997, Blair disse que os trabalhistas deveriam dar o exemplo em matéria de contenção salarial. Mas os ministros têm se queixado durante anos de que merecem melhor pagamento, e em março o Organismo Revisor de Salário de Altos Funcionários – um órgão independente que faz recomendações sobre os salários do primeiro-ministro e de seu gabinete – sugeriu a Blair que acabasse com o congelamento salarial. Ontem o conselho foi acatado.

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