Bin laden convoca uma guerra santa
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de setembro de 2001
ANSA<br> De Dubai 
O milionário saudita Osama bin Laden convocou uma guerra santa contra ''a campanha dos novos judeus e cruzados americanos'' e definiu o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, como ''o maior dos cruzados''.
Num comunicado enviado por fax à tevê por satélite al-Jazeera, baseada no Catar, Bin Laden lançou também um chamado aos paquistaneses para combaterem qualquer ataque contra o Afeganistão por parte dos ''cruzados norte-americanos''.
''Incitamos nossos irmãos muçulmanos no Paquistão a resistir com todos os meios disponíveis aos cruzados norte-americanos que querem invadir o Paquistão e o Afeganistão'', afirmou Bin Laden, segundo o comunicado enviado à tevê.
No comunicado, Bin Laden acrescenta que pode assegurar que está decidido ''a seguir a guerra santa pelo amor a Deus''.
O comunicado enviado por fax à al-Jazeera está escrito em árabe, assinado a máquina ''Osama bin Laden'' e à mão ''Osama Mohammad''.
''A nova campanha cruzada judaica é liderada pelo maior dos cruzados, Bush, sob a bandeira da Cruz'', finaliza o comunicado.
Os talebans mobilizaram suas forças em massa, ontem, preparando a jihad (guerra santa) contra os Estados Unidos, que por sua vez já enviaram tropas para os arredores do Afeganistão e iniciaram a integração do Paquistão à sua coalizão.
O regime de Cabul, disposto a responder aos ataques norte-americanos, mobilizou 300 mil homens para a jihad, anunciou o ministro da Defesa, mulá Obaidulá. ''Foram enviados à capital, às fronteiras e localidades mais importantes'', precisa o comunicado.
Segundo fonte norte-americana, Washington, depois de suspender as sanções impostas ao Paquistão desde 1998, enviou uma delegação de líderes militares àquele país, que até então era o principal aliado dos talebans.
A delegação americana chegou a Islamabad para discutir a participação do Paquistão junto aos Estados Unidos, que reiteraram este domingo sua determinação de eliminar Osama bin Laden e sua organização Al-Qaida.
Washington, não acreditando nas últimas declarações do regime taleban sobre o desaparecimento de Bin Laden, exigiu mais uma vez a entrega do milionário, principal suspeito dos atentados em Nova York e Washington.
Acreditando que Bin Laden continua em território afegão, o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, está oferecendo uma recompensa de 25 milhões de dólares em troca de informações que permitam capturá-lo.
Como prova de que as atividades militares já começaram, o secretário de Estado para a Defesa americana, Donald Rumsfeld, confirmou a perda de um de seus aviões de espionagem, sem admitir no entanto que este tenha sido derrubado pelos talebans.
Por sua vez, Cabul anunciou ter derrubado um segundo avião espião sem piloto, informação não confirmada nem desmentida pelo Pentágono.


