Bin Laden acusa Obama de seguir Bush
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quarta-feira, 03 de junho de 2009
Folhapress 
São Paulo- Em gravação de áudio divulgada ontem, Osama bin Laden, líder máximo da rede terrorista Al Qaeda e inimigo número um dos Estados Unidos, acusou o presidente Barack Obama de seguir os passos do antecessor, o ex-presidente George W. Bush (2001-2009), e incentivar o ódio dos muçulmanos em relação àquele país.
Que o povo americano se prepare para fazer frente ao que os dirigentes da Casa Branca semeiam, disse Bin Laden em uma gravação de áudio divulgada pela TV Al Jazeera apenas meia hora depois de o presidente americano pousar em Riad para sua primeira viagem para a Arábia Saudita.
Hoje Obama irá ao Egito, onde fará o discurso ao mundo
muçulmano que prometera
ainda durante a campanha
presidencial.
Bin Laden acusou Obama de espalhar novas sementes de ódio e de vingança. O número de sementes equivale ao número de deslocados no vale de Swat e no norte e sul do Waziristão, acrescentou o terrorista em referências às operações militares lideradas pelos EUA contra o grupo islâmico radical Taleban naquelas duas localidades paquistanesas.
O terrorista tinha enviado sua última mensagem em 19 de março passado, quando falou sobre a
situação na
Somália.
Na mensagem de ontem, Bin Laden ainda acusou o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, de mudar o papel do Exército de seu país. Disse que os militantes paquistaneses, ao invés de defender o Islã, lutam contra muçulmanos. A maioria do povo paquistanês rejeita esta política. O presidente fez isso em resposta às pressões que recebe da Casa Branca, e isto é uma traição à nação muçulmana.
O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse ontem que a gravação atribuída a Osama bin Laden, que foi transmitida pela TV Al Jazeera logo após a chegada do presidente Barack Obama à Arábia Saudita, tem como único objetivo desviar a atenção do mundo muçulmano do discurso histórico que o americano fará, hoje, no Cairo (Egito).
Gibbs disse que a tentativa de minimizar o discurso não surpreende e que a gravação não parece muito diferente
das ameaças distribuídas no passado.
Obama afirmou que os Estados Unidos são um dos maiores países muçulmanos do mundo e pediu por um melhor diálogo entre o Ocidente e o Islã, em uma entrevista veiculada pela emissora francesa de TV
Canal+.
O que estou tentando fazer é abrir um diálogo para que o mundo muçulmano possa melhor compreender como os EUA e o mundo ocidental concebem alguns problemas difíceis, como o terrorismo ou a democracia, afirmou. Obama acrescentou que o Ocidente também devia conhecer melhor o Islã.
Desde que assumiu a Presidência, em janeiro, Obama tem pedido mais tolerância e diálogo entre os EUA e os países muçulmanos, na tentativa de restaurar a relação que foi abalada pela guerra ao terror de Bush, encarada pelo mundo islâmico como perseguição.


