Bill Clinton nega caso com Lewinski
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terça-feira, 27 de janeiro de 1998
Das Agências 
France Presse
Mobilização na Casa BrancaO vice-presidente Al Gore (acima) fala na Casa Branca em debate sobre infância e educação, observado por Hilary e Bill Clinton. O vice-presidente manifestou total apoio ao presidente dos Estados Unidos. Clinton foi enfático ontem: Não tive relações sexuais com esta mulher, a senhorita Lewinski. Nunca lhe pedi para mentir, sequer uma única vez. Esta acusações são falsas
O presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, negou ontem ter mantido relações sexuais com a ex-estagiária Monica Lewinsky ou tê-la induzido a mentir sobre o caso ao prestar depoimento à justiça. Quero dizer isto ao povo norte-americano. Quero que me escutem: vou dizer novamente. Não tive relações sexuais com esta mulher, a senhorita Lewinsky. Nunca lhe pedi que mentisse, sequer uma única vez. Estas acusações são falsas, e preciso voltar a trabalhar para o povo norte-americano.
O desabafo foi feito durante uma debate na Casa Branca sobre infância e educação e foi sua manifestação mais clara as acusações de ter pressionado Monica a mentir sob juramento, o que caracterizaria perjúrio. Ele pode ser obrigado a renunciar caso se confirme a acusação.
E o vice-presidente Al Gore deverá substituir o presidente Bill Clinton, envolvido num escândalo sexual? Embora a pergunta pareça prematura, o fiel lugar-tenente do presidente deve começar a se preparar para essa eventualidade, avaliam analistas.
Na semana passada, Gore expressou claramente apoio a Clinton. O presidente desmentiu essas acusações e eu acredito nele, declarou Gore. De qualquer forma, se as afirmações de Lewinsky sobre sua suposta relação com Clinton forem confirmadas, o presidente poderá ser submetido à destituição e a um processo judicial. Tal procedimento seria muito longo e o mais provável nesse caso seria um pedido de demissão, estimam vários especialistas, que relacionam o caso à renúncia de Richard Nixon em l974 em consequência do escândalo Watergate.
Gore foi eleito em l976 para a Câmara de Representantes, antes de entrar para o Senado em l984, até ser chamado por Clinton em l992 para integrar a chapa presidencial de seu primeiro mandato, reeleita em 1996.
Fator Iraque O departamento de Estado norte-americano afirmou ontem que o tempo está acabando para uma solução diplomática na questão dos inspetores de armas no Iraque. A corrente diplomática está se rompendo, afirmou o porta-voz do departamento, James Rubin. Disse também que os EUA não faz objeção ao envio pela Rússia de um negociador ao Iraque - o que ocorreu ontem -, mas adiantou que o governo norte-americano está pessimista com relação à possibilidade de Moscou conseguir persuadir Bagdá a respeitar as demandas das Nações Unidas por uma liberdade total de inspeção dos seus arsenais.
Mesmo assim, Clinton terá dificuldades em convencer um relutante mundo árabe, e seus companheiros de conselho Rússia e França, de que a ação militar é a única forma de destruir a capacidade de Saddam de produzir armas químicas e biológicas, disseram diplomatas ocidentais. Tanto a mídia quanto diplomatas árabes têm expressado preocupação de que o escândalo sexual envolvendo Clinton pode levar o presidente americano a considerar um ataque ao Iraque numa tentativa de desviar a atenção de seus problemas domésticos.


