Bill Clinton exorta líderes da economia a partilhar a riqueza com países pobres
Associated Press
De Davos, Suíça
O presidente dos EUA, Bill Clinton, conclamou os líderes mundiais da economia ontem, a adotar por completo e defender plenamente os princípios do livre mercado, mas ao mesmo tempo defender os trabalhadores e o meio ambiente, afirmando que o mercado livre ajudará as nações em desenvolvimento a partilharem da riqueza mundial.
Clinton acrescentou que todos devem compartilhar um visão que inclua a ajuda para os pobres do mundo e refutou a premissa de que o livre comércio apenas beneficia os ricos. Não deixem os pequenos de fora, disse o presidente, que participa neste fim de semana do tradicional Fórum Mundial de Economia na badalada estação de esqui. Não podemos construir nosso próprio futuro, deixando os outros para trás, afirmou.
Clinton reiterou seu firme apoio à Organização Mundial do Comércio como um veículo de condução ao livre comércio e organismo ideal para solucionar disputas comerciais, mas ressaltou: Não concordo com aqueles que olham com desprezo para as novas forças que buscam ser ouvidas no diálogo global, incluindo os ambientalistas e o defensores de condições mais justas de trabalho. O presidente é o primeiro mandatário dos EUA a participar do fórum, que começou há 30 anos como um encontro informal das elites econômicas.
Também participa do encontro o presidente argentino, Fernando de L Rúa, que ontem concluiu um acordo com o vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Stanley Fischer, para a liberação de um crédito de US$ 7,4 bilhões ao longo de três anos. Fischer declarou que houve um acordo sobre os princípios e os detalhes do plano, restando somente alguns acertos técnicos para ser feitos.
O vice-diretor elogiou as significativas medidas estruturais empreendidas pelo governo De La Rúa, incluindo as reformas do mercado de trabalho e da previdência. Esses foram fatores fundamentais, segundo ele, para que o acordo tivesse sido concluído. O empréstimo substituirá o anterior, de US$ 2,8 bilhões em três anos, que venceria em fevereiro de 2001.
Em paralelo ao fórum, centenas de manifestantes contrários ao livre comércio realizaram demonstrações, em desafio às probibições importas pelas autoridades locais. Um grupo de cerca de 500 pessoas vestidas em trajes de ski e incluindo suíços, franceses e italianos, marcharam pela rua principal de Davos, carregando cartazes e faixas contra a globalização. A polícia, que bloqueou trechos do centro da estação de esqui, chegaram a disparar tiros de advertência e bombas de gás lacrimogêneo.Presidente dos EUA defende livre mercado em Davos, mas também diz que é necessário proteger os trabalhadores e o meio ambiente
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