São Paulo - O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, chegou ontem a Israel para acelerar os esforços americanos de mediação da recém-acordada negociação de paz indireta entre israelenses e palestinos. Após uma reunião com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, Biden declarou que os EUA darão apoio absoluto e total à segurança de Israel e que os laços bilaterais são ''inabaláveis''.
A declaração de apoio do mediador do diálogo, retrato da relação americana com seu maior aliado na região, não deve ser bem vista pela liderança palestina, que espera trazer à mesa os temas mais complicados do diálogo, como o status de Jerusalém e as terras do futuro Estado palestino. ''A pedra angular de nossa relação é nosso compromisso absoluto, total e sem reservas a favor da segurança de Israel'', declarou Biden, que está em visita oficial a Israel e aos territórios palestinos.
''No Oriente Médio se registram avanços quando cada um sabe que não há distâncias entre Estados Unidos e Israel. E não há distâncias entre Estados Unidos e Israel quando se trata da segurança de Israel'', afirmou Biden.
Biden afirmou ainda que a retomada do diálogo entre palestinos e israelenses representa ''um momento de real oportunidade'' para a paz. O vice dos EUA, que chegou na segunda-feira ao Oriente Médio, é o mais graduado membro do governo de Barack Obama a visitar Israel até agora, em meio à forte preocupação que existe no Estado judaico com o programa nuclear iraniano.
Nesta semana, o enviado especial do governo Obama para o Oriente Médio, George Mitchell, manteve reuniões com autoridades israelenses e palestinas e conseguiu negociar a retomada de negociações indiretas, marcando o reinício de um processo de paz abandonado em dezembro de 2008.
''Acho que estamos em um momento de real oportunidade'', disse Biden em reunião com o presidente israelense, Shimon Peres. Ele planeja visitar hoje os dirigentes palestinos em Ramallah, na Cisjordânia. ''Os interesses dos palestinos e do povo israelense, se todos derem um passo atrás e respirarem fundo, estão na verdade muito mais alinhados do que em oposição'', afirmou.
O governo israelense afirma esperar que as negociações indiretas sejam de curta duração e levem à retomada das negociações diretas. Tel Aviv, contudo, não demonstra disposição de discutir temas importantes como o retorno dos refugiados palestinos. Do outro lado, a Autoridade Nacional Palestina, que obteve apoio da Liga Árabe na retomada, quer abordar desde o início as questões mais problemáticas.
Biden chegou a Israel no mesmo dia em que o Ministério da Defesa israelense aprovou a construção de 112 novas casas em uma colônia judaica na Cisjordânia - lançando um clima de apreensão que deve marcar o início das negociações.
Segundo o ministério, a permissão foi dada para permitir a construção em Beitar Illit devido a problemas de infraestrutura e segurança. O plano foi aprovado na época do governo Ehud Olmert e antes da ordem do congelamento dada por Netanyahu, em novembro passado, sob intensa pressão dos Estados Unidos. Segundo Washington, as construções não ferem o congelamento.
Um dos temas centrais trazidos pelos palestinos é justamente o fim das construções judaicas em territórios palestinos. Há cerca de 500 mil israelenses vivendo em territórios que os palestinos querem como parte de seu Estado.

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