Biden é confirmado candidato democrata à Casa Branca
Em noite com líderes da velha e da nova guarda, o Partido Democrata quis mostrar que o ex-vice de Obama tem apoio, inclusive, suprapartidário
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quinta-feira, 20 de agosto de 2020
Em noite com líderes da velha e da nova guarda, o Partido Democrata quis mostrar que o ex-vice de Obama tem apoio, inclusive, suprapartidário
Marina Dias/Folhapress 

Washington, EUA - Joe Biden foi confirmado candidato democrata à Casa Branca nesta terça-feira (18), na segunda noite da convenção, que reuniu líderes da velha e da nova guarda do partido.
A oficialização da vitória de Biden, que conquistou 3.558 votos dos delegados democratas, foi meramente protocolar, visto que, desde abril, quando Bernie Sanders desistiu da corrida, o ex-vice de Barack Obama era o único a pleitear a vaga de adversário de Donald de Trump na eleição de novembro.
Biden agradeceu "do fundo do coração," mas guardou seu discurso para a quinta-feira (20), última noite da convenção democrata que, em razão da pandemia, tem sido realizada pela primeira vez de maneira virtual.
A segunda noite do evento foi marcada pela participação de lideranças do passado e do futuro democrata, em mais uma tentativa de mostrar a amplitude do arco de apoio a Biden.
Para além das diversas alas da sigla, a cúpula democrata quer mostrar que o ex-vice de Obama tem apoio, inclusive, suprapartidário, de republicanos que estão cansados da retórica agressiva de Trump.
O ex-presidente dos EUA Bill Clinton foi um dos escalados nesta terça para fazer ataques fortes e diretos ao atual líder do país, dividindo holofotes com lideranças mais jovens, como a deputada Alexandria Ocasio-Cortez, estrela da ala progressista. "Vamos ganhar em novembro", disse AOC, como é conhecida.
Além de Clinton e Ocasio-Cortez, também participaram o ex-presidente Jimmy Carter, o ex-secretário de Estado americano John Kerry, o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, todos da velha guarda.
Ao lado de AOC e da renovação que ela representa, estavam, por exemplo, Stacey Abrams, que perdeu por margem apertada a eleição para o governo da Geórgia, em 2018, e chegou a ser cotada como vice de Biden, posto que ficou com a senadora Kamala Harris, assim como Abrams, uma mulher negra.
O pragmatismo de AOC -que segue Sanders- deixa claro que a coalizão é necessária para derrotar Trump, mas reforça que vai seguir alimentando o movimento progressista e pressionando a cúpula democrata a se sintonizar com as demandas de sua base eleitoral.
Do outro lado do tabuleiro, Clinton fez um discurso gravado em vídeo em que remeteu Trump ao completo caos e criticou a condução do presidente diante da pandemia que já matou mais de 170 mil americanos.
"Em um momento como este, o Salão Oval deveria ser um centro de comando. Em vez disso, é um centro de tempestade. Existe apenas caos. Só uma coisa nunca muda, sua determinação em negar responsabilidade e transferir a culpa. A bola nunca para por aí", disse ele. Adaptados ao formato remoto, os discursos têm sido reduzidos.
AOC, por sua vez, é a deputada mais jovem a ser eleita à Câmara dos EUA e representa uma encruzilhada ao futuro do establishment democrata. Nos próximos anos, independentemente do resultado das eleições, a cúpula da sigla precisará decidir como se posicionar diante da base eleitoral mais progressista.
Parte desse grupo tem se incomodado com as participações de republicanos na convenção democrata. Nesta terça, por exemplo, um dos convidados era o ex-secretário de Estado republicano Colin Powell, que disse que Biden vai retomar a "autoridade moral dos EUA".
Ao lado de Clinton e Ocasio-Cortez, um dos discursos mais esperados da noite era o da esposa de Joe Biden, Jill, que encerrou o evento de terça.
Sua fala se concentrou na trajetória pessoal do marido, muitas vezes citada na campanha: semanas após ter sido eleito senador por Delaware pela primeira vez, em 1972, o democrata perdeu sua primeira esposa, Neilia, e uma filha, Naomi, de apenas um ano de idade, em um acidente de carro.
Em 2015, Biden perderia outro filho, Beau Biden, vítima de um câncer no cérebro.
Doutora em ciências da educação, Jill falou de uma sala de aula do colégio Brandywine, em Wilmington, no estado de Delaware, onde lecionou no início de sua carreira, e se dirigiu em tom afetivo às famílias que enfrentam a incerteza da volta às aulas durante a pandemia.
"Dá para ouvir a ansiedade que ecoa pelos corredores vazios. Não há o cheiro de cadernos novos ou de pisos recém-encerados. As salas de aula estão escuras, e os rostos jovens e brilhantes que deveriam ocupá-las estão confinados a caixas na tela do computador", disse.


