Bettino Craxi, ex-premier italiano, morre em Túnis
Ansa
De Roma
Procurado pela Justiça italiana por envolvimento em pelo menos 30 casos graves de corrupção, o ex-primeiro-ministro e líder socialista Bettino Craxi morreu ontem de ataque cardíaco aos 65 anos na Tunísia (norte da África), onde se refugiou em 1994. A notícia da morte de Craxi, o primeiro líder socialista a governar a Itália (1983/1987), foi dada pelo filho dele, Bobbo, que se encontrava no Hospital Militar de Túnis.
Chamado na década de 80 de rei da política italiana e, posteriormente, em meados dos anos 90 de campeão da corrupção, o ex-líder do antigo Partido Socialista Italiano sofria de diabete e cardiopatia. Em novembro, foi operado de um câncer no rim e também sofreu a implantação de um marcapasso.
Em novembro do ano passado, um tribunal de Milão determinou que Craxi poderia retornar à Itália para se submeter a uma operação no coração e cumprir sua sentença de cinco anos e meio de cadeia por corrupção em regime domiciliar. Mas Craxi rechaçou a oferta dizendo que apenas retornaria em liberdade.
Os processos contra Craxi foram abertos pelos juízes de Milão, integrantes da chamada Operação Mãos Limpas, chefiada pelo juiz Antonio Di Pietro. Eles estavam processando quase todos os políticos da chamada velha guarda, que transgrediram a lei de financiamento público dos partidos políticos.
Craxi estava envolvido no maior escândalo de suborno de políticos apurado pela equipe de Di Pietro o chamado caso Enimont, uma empresa criada em meados da década de 80. Ela surgiu de uma associação altamente danosa do Tesouro italiano entre a estatal ENI (a Petrobrás italiana) e a Montedison, empresa controlada pelo grupo privado Ferruzi. Essa união durou pouco tempo. E, na sua dissolução, a estatal ENI comprou da Ferruzi as ações da Enimont por um valor superestimado. Para facilitar a operação, o grupo privado distribuiu US$ 93 milhões em doações políticas ao PSI, de Craxi, e ao ex-Partido Democrata Cristão, na época chefiado por Arnaldo Forlani. Craxi foi acusado também de ter aceito propina de empreiteiras interessadas na construção do metrô de Milão. Ele foi julgado à revelia e condenado a quase 20 anos de prisão. O ex-líder socialista alegava inocência, dizendo-se vítima de julgamento político.
O papa João Paulo II lamentou a morte de Craxi que, lembrou o porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro Valls, teve o mérito de contribuir para a reforma, em 1984, dos pactos entre o Vaticano e a Itália. O corpo dele deverá ser transportado para Milão desde Hammalat, cidade litorânea onde residia, na Tunísia.





