São Paulo - O italiano Silvio Berlusconi prometeu ontem usar sua vitória nas eleições parlamentares para impulsionar as reformas econômicas e fechar as fronteiras para os imigrantes ilegais, em uma ação contra aqueles que podem cometer crimes e que chamou de ''exército do mal''.
O conservador de 71 anos assegurou ontem o terceiro mandato como primeiro-ministro, mas deve sua maioria na Câmara e no Senado ao apoio do partido xenófobo e protecionista Liga Norte, que ganhou aproximadamente 8% dos votos.
Em afirmações que devem agradar à Liga, ele prometeu duras medidas contra o crime, que muitos italianos atribuem à imigração ilegal, assim como uma ajuda para a empresa aérea Alitalia e um fim para a crise do lixo em Nápoles.
''Um das primeiras coisas que eu farei é fechar as fronteiras e levantar mais acampamentos para identificar cidadãos estrangeiros que não têm trabalho e são forçados a entrar na vida do crime'', disse Berlusconi em uma entrevista para a TV.
''Em segundo lugar, nós precisamos mais polícia local constituindo um 'exército do bem' nas praças e nas ruas para se interpor entre o povo italiano e o 'exército do mal''', disse.
Fiel aliado de Washington na ''guerra contra o terror'' quando esteve no poder, Berlusconi recebeu um telefonema do presidente dos EUA, George W. Bush, parabenizando-o pela vitória nas eleições.
Berlusconi disse também que está ''diferente do Berlusconi de 2001'' e se mostrou partidário do federalismo, uma das principais reivindicações de seus aliados políticos da Liga Norte. Ele disse estar diferente porque agora conhece ''a máquina do Estado''.
Em afirmações à rádio Anch'io, o primeiro-ministro eleito destacou especialmente a questão do federalismo, e lembrou que uma organização federal era o sexto ponto de seu programa eleitoral. ''É um grande princípio de democracia e de liberdade'', acrescentou.

mockup