Roma O primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi sofreu nesta ontem um novo revés político: a Corte Constitucional anulou a lei de imunidade que o protegia, expondo o magnata das telecomunicações a um processo por corrupção. A aprovação da lei de imunidade, em junho de 2003, permitiu aB erlusconi se beneficiar da suspensão de um processo por corrupção de juízes em Milão. A Corte Constitucional declarou ''ilegítimo'' o primeiro artigo dessa lei, que suspende litígios penais em andamento, por ser contrário ao ''princípio de igualdade'' e ao ''direito à defesa'' dos cidadãos envolvidos, conforme as disposições da Constituição italiana.
Trata-se do segundo revés político de Berlusconi, depois de o presidente da República, Carlo Azeglio Ciampi, ter se negado a ratificar, em meados de dezembro, a lei de reforma do sistema audiovisual, por considerá-la inconstitucional.
O parlamento italiano aprovou em 18 de junho, com ampla maioria, a imunidade para os cinco principais dirigentes do Estado, durante o período de seus mandatos. Estes cinco são o presidente da República, o primeiro-ministro, e os presidentes do Senado, da Câmara, e da Corte Constitucional.
A lei, aprovada em menos de três semanas, provocou a indignação da oposição de esquerda e de grande parte da magistratura, que a definiram como ''um monstro jurídico para defender uma única pessoa''.

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