Berisha vai convocar eleições até junho
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domingo, 09 de março de 1997
Reuter De Tirana 
France PressePressãoOs rebeldes, bem armados, querem a renúncia do presidente antes de entregarem as armas O presidente Sali Berisha, os partidos da coalizão governista e os da oposição albanesa assinaram ontem um acordo para a formação de um governo de unidade nacional e convocação de eleições até junho. O documento, de nove pontos, também dá aos rebeldes - que se levantaram em várias cidades no sul da Albânia - uma semana para depor suas armas.
A oposição socialista, herdeira do ex-Partido Comunista da Albânia, e o governo de Berisha negociaram por dois dias - sob a mediação de emissários da União Européia - para que chegassem ao acordo. A escolha de junho como último prazo para a realização de eleições foi uma concessão do governo aos oposicionistas.
Inicialmente, Berisha pretendia convocar as eleições em 45 dias, ampliando depois esse prazo para dois meses. Os socialistas, porém, não concordavam na realização do pleito num prazo tão curto, argumentando que seria impossível organizar uma votação livre sob a vigência do estado de emergência decretado por Berisha na semana passada.
Mais de 20 pessoas morreram na recente onda de violência política no país, aberta com o colapso das instituições financeiras que administravam esquemas de investimento fraudulento, baseados no sistema conhecido como pirâmide. Centanas de milhares de albaneses perderam todas as suas economias com a quebra.
Em reação ao governo, habitantes de várias cidades invadiram quartéis e assaltaram veículos militares, tomando armas e o controle de diversas regiões, principalmente no sul do país.
Ontem, líderes desses rebeldes reiteraram que não deporão suas armas até que Berisha renuncie. Tropas governamentais albanesas cercam os rebeldes nessas regiões, aguardando uma ordem do governo para sufocar a rebelião.
Estamos animados com o comunicado. Estamos em contato com (rebeldes em) Sarande, Vlore e Devine para decidir o que fazer. Mas neste momento, nossa posição continua sendo de que Berisha tem de renunciar antes que entreguemos nossas armas, afirmou o ex-general Agim Gozhita, que havia sido eleito mais cedo para liderar o conselho rebelde de Gjirokaster.
Os rebeldes, bem armados, controlam agora a costa adriática, de Vlore a Sarande, assim como uma grande faixa do interior. Pelo que temos ouvido até agora, não devolveremos nossas armas. Queremos que ele (Berisha) renuncie, afirmou o número dois no conselho rebelde de Gjirokaster, Sotirakis Manthos. Um terceiro membro do conselho, Murat Kaci, do oposicionista Partido Socialista, afirmou: Berisha não costuma cumprir sua palavra e não acreditamos nele. Iremos decidir o que fazer quando ficar provado que o que ele falou é verdade.
Kaci disse que os socialistas, herdeiros dos stalinistas que governaram a Albânia com mão de ferro por 45 anos, também querem a imediata libertação da prisão de Fatos Nano. O líder foi encarcerado por acusações de corrupção, mas os socialistas afirmam que sua condenação foi politicamente motivada.
O direitista Partido Democrático, de Berisha, venceu as eleições gerais do ano passado, conquistando quase todas as 140 cadeiras do parlamento. Mas os partidos de oposição e observadores ocidentais denunciaram as eleições como fraudulentas. Berisha, um ex-comunista e cirurgião-cardíaco, foi reeleito este mês pelo Parlamento para um novo mandato de cinco anos.


