Berisha é acusado de tentar golpe
O governo socialista albanês aumentou a pressão, ontem, sobre o ex-presidente Sali Berisha, acusando-o de ter fomentado um golpe de Estado e agora o ameaça de processo. Berisha foi acusado de ter instigado os confrontos, que começaram no último domingo em Tirana e que causaram oito mortos e 80 feridos, dos quais cinco soldados e seis membros das forças da ordem. A comissão parlamentar de mandatos reuniu-se ontem para examinar o levantamento da imunidade parlamentar de Berisha e de outros quatro dirigentes do Partido Democrático (PD), informaram fontes parlamentares.
Esta medida foi reclamada pela promotoria ao Parlamento, terça-feira à noite, para permitir a detenção do ex-presidente e de Pjeter Arbenori - ex-presidente do Parlamento albanês -, assim como de Leonard Demi, Vili Minarolli e Shaban Memia, informou à AFP o vice-presidente do tribunal de Tirana, Namik Dokle. Para ser executada, a medida precisa ser aprovada por dois terços dos deputados presentes. O Parlamento também decidiu colocar a polícia militar albanesa sob controle do Ministério do Interior, segundo um comunicado oficial.
Apelo de Berisha Por seu turno, o ex-presidente da Albânia Sali Berisha que conta com dezenas de milhares de partidários espalhados por todo o país, fez novo apelo ontem para a derrubada da ditadura do primeiro-ministro Fatos Nano, que acusa Berisha de conspirar contra o Estado. Nano descartou qualquer diálogo com os terroristas que se negam a entregar as armas, referindo-se aos simpatizantes de Berisha, ontem, em entrevista à imprensa. A sede do Partido Democrático (PD) está cheia de pessoas armadas, entre elas o próprio Berisha, organizador de uma tentativa de golpe de Estado, acrescentou.
O primeiro-ministro afirmou que o ultimato feito ao PD para que entregasse as armas continua em vigor. Segundo Nano, basta que o PD adote uma posição hostil aos criminosos para que a situação na Albânia melhore sensivelmente. Enquanto isso, 3.000 simpatizantes de Berisha fizeram uma passeata ontem pelo centro de Tirana sem que a polícia intervisse. Berisha e sua mulher estavam entre os manifestantes que gritavam morte a Fatos Nano, morte ao comunismo e Berisha presidente. Para alguns analistas, Berisha é líder carismático; consegue com um simples telefonema mobilizar em menos de 24 horas milhares de pessoas, como o fez segunda-feira durante o enterro do deputado da oposição assassinado, Azem Hajdari.
As forças leais a Berisha são compostas por dezenas de milhares de simpatizantes espalhados por todo o território albanês, principalmente no norte do país, sua região natal. Tenha cuidado Nano, os moradores de Skhodra (norte) vão chegar a Tirana!, gritavam ontem em coro os manifestantes da oposição. Como todos os albaneses, os partidários do ex-presidente possuem um importante depósito de armas individuais, conseguidas durante os saques aos quartéis em março de 1997, quando cerca de um milhão de fuzis de assalto Kalachnikov desapareceram. A Albânia conta com três milhões de habitantes, o que significa que cada família albanesa possui pelo menos um fuzil, deduziu Piro, um estudante de Tirana.France PressePartidários de Sali Berisha continuam com as manifestações em TiranaFrance Presse





