SÃO PAULO - Encerrando um triunfante retorno à sua Alemanha natal, o papa Bento XVI conclamou fiéis a evitar a noção de religião ''faça você mesmo'', na qual a pessoa escolhe os elementos que quer conservar e ignora o resto. O papa falou em Colônia a uma multidão estimada em até 1 milhão de pessoas, que o ovacionou no último grande evento de sua viagem, que concluiu a Jornada Mundial da Juventude, da Igreja Católica.
Muitos fiéis, a maioria jovens de pouco mais de 20 anos, passaram a noite gelada em tendas e sacos de dormir, cantando e rezando em atmosfera festiva, antes de o papa chegar para a missa acompanhado de 800 bispos. O santo padre desceu do papamóvel para o encerramento da última edição do evento direcionado a jovens iniciado por seu predecessor, o papa João Paulo 2º, 20 anos atrás.
Em sua homilia, lida em cinco idiomas, Bento XVI fez referência a princípios gerais, em contraste com João Paulo 2º, que frequentemente falava de moral sexual quando se dirigia especificamente a jovens. Pediu-lhes que não vissem a religião como um ''produto de consumo'', do qual as pessoas podem usar só o que lhes agrada, ignorando as regras que às vezes são difíceis de observar.
''Uma religião construída com bases no ''faça você mesmo' não pode no final das contas nos ajudar'', disse o pontífice. ''Ela até pode ser confortável, mas, em tempos de crise, somos deixados sozinhos'', continuou. O papa anunciou que a próxima Jornada Mundial da Juventude será em Sydney, na Austrália, em 2008.
Questionado sobre como se sentia com o alerta contra o catolicismo ''self-service'', o alemão Malte Schubert, 19, disse: ''Isso significa basicamente nada de sexo, não? Ele tem de dizer isso. É o papa. Mas as pessoas devem tomar suas próprias decisões''.
Muitos outros, porém, concordaram com o papa. ''Sou membro de um movimento de devotos da Virgem Maria. Seguimos estritamente os ensinamentos da igreja. O papa está certo em alertar contra a religião ''self-service'. Deve ser tudo ou nada'', disse Nuno Gonzaga, 20, de Portugal.
A viagem permitiu ao papa mostrar o lado mais suave que seus apoiadores dizem que ele tem. Antes de ser eleito, em abril, Joseph Ratzinger dirigia o departamento que supervisiona o cumprimento da doutrina e era frequentemente descrito pela mídia como uma pessoa fria e dura.
O giro também deu ao papa a oportunidade de mostrar que apóia o diálogo inter-religioso. Na sexta-feira, ele fez uma visita histórica à sinagoga de Colônia, que foi destruída pelos nazistas em 1938, e alertou contra a ameaça do novo anti-semitismo. No sábado disse a líderes muçulmanos que eles têm o dever de ajudar a derrotar o terrorismo e reverter a ''a onda de fanatismo cruel'' que usa a religião para instigar o ódio.

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