São Paulo- Mal havia pisado o solo de Israel, o papa Bento 16 defendeu ontem, em discurso às autoridades do país no aeroporto de Tel Aviv, a existência de duas ''pátrias'', uma para israelenses, outra para palestinos, com suas fronteiras ''internacionalmente reconhecidas''.
O primeiro-ministro do país, Binyamin Netanyahu, presente à cerimônia de acolhida ao pontífice, se recusa a endossar a solução de dois Estados, encampada pela ONU.
Bento XVI não chegou a usar a palavra ''Estado'', mas isso não enfraqueceu uma declaração que falava abertamente de ''fronteiras''. Contribuiu para o impacto de seu apoio ao Estado palestino o fato de ele ter sido dado ao lado de autoridades israelenses. Em visita à Terra Santa, em 2000, João Paulo 2º fez declaração similar, porém durante um encontro com autoridades palestinas.
Ontem, no mesmo discurso, o atual pontífice também fez a defesa de uma Jerusalém à qual ''peregrinos'' de todas as crenças possam ter acesso ''livre e sem restrições''. Israel controla o acesso de palestinos à cidade, onde se encontra um dos locais sagrados para os muçulmanos, a mesquita de Al Aqsa.
Num discurso que antecedeu ao do papa, o presidente do país, Shimon Peres, afirmou que Israel ''garante a liberdade absoluta de prática religiosa e o acesso livre a locais sagrados'' e se referiu ao processo de paz com árabes e palestinos.
''Nós fizemos as pazes com o Egito e com a Jordânia e estamos negociando para consegui-la com os palestinos. Podemos chegar a uma ampla paz regional no futuro próximo'', disse.

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