São Paulo- Membros da corte internacional disseram ontem que as propriedades do ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic podem ser confiscadas e usadas para cobrir parte dos US$ 4,5 bilhões (R$ 7,1 bilhões) em indenizações às vítimas de seus crimes de guerra.
O ex-líder dos sérvios da Bósnia é acusado pelo Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia (TPII) pelo genocídio em Srebrenica, pelo cerco a Sarajevo, e por outros crimes de guerra e contra a humanidade cometidos durante a Guerra da Bósnia (1992-1995). Ele foi capturado na segunda-feira e aguarda, em uma prisão em Belgrado, pela extradição para a corte de crimes de guerra da Organização das Nações Unidas, em Haia.
O júri da corte do Centro de Direitos Constitucionais, baseado em Nova York, estabeleceu o valor da indenização em 2000, após um processo aberto pelas vítimas da Guerra Bósnia que fugiram para os EUA. A guerra deixou mais de 100 mil mortos.
Raffi Gregorian, vice-administrador da corte internacional, disse ainda que várias opções estão sendo avaliadas sobre como confiscar os bens de Karadzic para que a soma possa ser paga, ''pelo menos uma compensação parcial e simbólica''.
Karadzic também enfrentará acusações de desvio de verbas do orçamento federal da ex-República Sérvia-Bósnia. ''Há documentos provando que Karadzic pegou US$ 28 milhões na primavera de 1997'', disse o primeiro-ministro sérvio Gojko Klickovic, em uma entrevista de 2005.

mockup