Benin vai eleger novo presidente
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sábado, 04 de março de 2006
Fiacre Vidjungninou<br> France Presse 
Cotonou - O vencedor das eleições presidenciais em Benin, cujo primeiro turno será realizado neste domingo, terá que administrar um dos países mais pobres do mundo, que enfrenta uma profunda crise econômica agravada pela corrupção.
''Ainda que você tenha em dia os documentos de identidade, em cada posto da polícia é preciso dar 200 ou 500 CFA (entre 30 e 80 centavos de euro) para que não inventem uma infração'', lamenta o taxista Theodore Akpué.
''Na administração pública não é possível fazer nada sem dar dinheiro. A corrupção é generalizada'', diz a comerciante Isabelle Donkpegan.
''A corrupção está na moda, uma teoria de gestão que está por cima do Estado'', considera Jean de Dieu Houénou, um economista consultado pela Agência France Presse.
Vários exemplos ilustram essas opiniões. Em fevereiro, o ministro de Relações Exteriores, Rogatien Biau, foi destituído e processado no caso de venda ilícita de um terreno da embaixada de Benin nos Estados Unidos.
Também em fevereiro, quatro comandantes policiais foram processados por malversação de fundos de mais de 4 bilhões de CFA (cerca de 6,1 milhões de euros).
Para numerosos especialistas, a corrupção é uma das razões do fracasso das reformas lançadas em 1990. Quinze anos mais tarde, mais da metade da população vive com menos de um euro por dia.
O índice de crescimento, que era de 6,2% em 2001, encolheu para 3,4% em 2004.
Além da corrupção, explicam os maus resultados do país a má gestão e o fracasso das políticas de privatização, sobretudo no setor de algodão, apontam os economistas.
A produção de algodão, principal cultivo de exportação de Benin, com cerca de 80% da receita de exportação (13% do PIB), está em claro retrocesso, de 416.
000 toneladas em 2001 para 250.000 toneladas em 2006, segundo estimativas oficiais.
Benin também tem problemas de receitas desde meados de agosto de 2003, quando a vizinha Nigéria decidiu lutar contra a importação de produtos provenientes da Europa e da Ásia pelo porto de Cotonou. Os produtos são teoricamente proibidos no país, mas entram facilmente em território nigeriano, afirma outro economista, Jean-Paul Ayivi.
A situação resultou para Benin numa perda de mais de 35 bilhões de CFA (mais de 53 milhões de euros) em 2004, calcula Ayivi.
O país é dirigido pelo general Mathieu Kereku, ex-chefe de um regime militar marxista que recuperou o poder pelas urnas em 1996 e foi reeleito em 2001.
Kereku, de 72 anos, não pode ser candidato desta vez por causa da idade, de acordo com a Constituição. O mesmo acontece com seu rival histórico, o ex-presidente Nicephore Soglo.


