Bem recebida decisão contra Pinochet
A ordem de julgar o ex-ditador Augusto Pinochet emitida pelo juiz chileno Juan Guzmán Tapia constitui uma excelente notícia paa o Chile e para os direitos humanos, afirmou, ontem, a imprensa espanhola. O juiz Guzmán entra na História pela porta principal, disse o jornal liberal El Mundo, adiantando que é justo reconhecer que os que duvidaram um dia da capacidade do sistema judicial chileno e da força de suas instituições democráticas para obrigar Pinochet a responder por seus atos estavam enganados.
O juiz Juan Guzmán Tápia abriu formalmente, na sexta-feira, um julgamento e decretou a detenção do ex-ditador chileno Augusto Pinochet, numa decisão que surpreendeu o Governo, os políticos e os comandos militares.
O magistrado baseou sua determinação em antecedentes que situam Pinochet como autor intelectual dos crimes da Caravana da Morte, uma comitiva militar que fuziou e fez desaparecer 75 presos políticos em outubro de 1973, um mês depois do golpe que o manteve no poder por 17 anos.
As notícias relativas à prisão domiciliar de Pinochet, porém, são contraditórias. Algumas fontes indicam que o ex-ditador chileno se encontra, efetivamente, sob o regime de prisão, sem poder deixar sua residência a não ser com licença da Justiça. Há porém quem conteste, assinalando que Pinochet está em casa por livre decisão e até devido à sua precária situação de saúde, que impede sua locomoção.
A reação popular, em Santiago, ante a abertura formal do julgamento do antigo ditador foi intensa. Membros de entidades que lutam, há décadas, para responsabilizar Pinochet e outros responsáveis pelos desaparecimentos e mortes durante o regime militar, foram às ruas para manifestar sua satisfação.





