France PresseMassacre em PristinaAlbaneses aguardam notícias sobre parentes mortos pela polícia sérvia, entre eles oito mulheres e onze criançasEstimulado por dura declaração do presidente russo, Boris Yeltsin, que afastou a possibilidade de deslocamento de tropas russas para uma ‘‘nova intervenção internacional nos Bálcãs’’, o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, rechaçou ontem em Belgrado o que classificou de ‘‘intromissão’’ do Grupo de Contato em assuntos internos da Iugoslávia referência à repressão policial em Kosovo, província iugoslava de etnia albanesa, que exige autonomia.
Formado por EUA, Rússia, Alemanha, Grã-Bretanha, França e Itália para consultas sobre o conflito na antiga Iugoslávia, o grupo aplicou uma série de sanções ao regime de Belgrado (Moscou só concordou com duas) e lançou um ultimato a Milosevic para que retire as tropas da província num prazo de dez dias.
O enviado especial do presidente americano, Bill Clinton, à região, Robert Gelbard, foi encarregado pelo Grupo de Contato de transmitir as decisões adotadas a Milosevic. ‘‘Os Estados Unidos e seus aliados insistem na necessidade de um diálogo para uma solução política da crise.’’
A secretária de Estado americana, Madeleine Albright, teme que o conflito alastre-se à Albânia e Macedônia, além de agravar o perigoso antagonismo existente entre Grécia e Turquia - dois integrantes da Organização do Atlântico Norte (Otan) que podem adotar políticas opostas.
Albright advertiu no fim de semana que os Estados Unidos não descartam nenhuma opção para evitar um novo banho de sangue nos Bálcãs, o que inclui a militar.
Depois de entrevistar-se com Milosevic, Gelbard dirigiu-se a Pristina (capital de Kosovo), onde se reuniu com o líder albanês Ibrahim Rugoya.
Ali, chegaram corpos de 51 pessoas mortas pela polícia sérvia no vale do Rio Drenica. Os parentes, no entanto, recusaram-se a recebê-los, exigindo autópsia. As autoridades de Belgrado estão ameaçando enterrá-los em valas comuns.

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