Belgas reavaliam a morte de Lumumba
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de novembro de 2001
France Presse<br>De Bruxelas 
Patrice Lumumba, assassinado dia 17 de janeiro de 1961, sete meses após a declaração de independência do Congo, colônia belga, foi a figura emblemática das independências africanas por seu nacionalismo intransigente. Uma comissão parlamentar de inquérito belga concluiu, sexta-feira, em relatório que a Bélgica teve uma ''responsabilidade moral'' na morte de Patrice Lumumba, primeiro chefe de governo do Congo independente, atual República Democrática do Congo (RDC).
Nascido em 1925 em Kasaã, Patrice Lumumba fundou em 1958 o Movimento Nacional Congolês (MNC). Participou em janeiro-fevereiro de 1960 da ''mesa-redonda'' de Bruxelas, que fixou a data da independência. Após a vitória de seu partido nas eleições, tornou-se presidente do Conselho antes da proclamação da independência, a 30 de junho de 1960.
Mas ficou apenas dois meses na liderança do primeiro governo do Congo. Muito rapidamente o país mergulha no caos. A rica província mineira de Katanga (sul) separou-se sob a liderança de Moãse Tschombé com o apoio das potências coloniais e dos Estados Unidos. Em agosto, o Kasaã vizinho proclama um Estado autônomo e Lumumba ordena uma ofensiva militar contra a capital da província.
Lumumba havia rompido com Bruxelas, a quem considerava responsável pela secessão de Katanga, e pediu a intervenção da ONU. O Conselho de Segurança pediu à Bélgica para retirar suas tropas e autorizou o envio de capacetes azuis. Estes chegaram ao Congo em meados de julho, mas a ONU recusou-se a deixar sua força de paz apoiar as tropas governamentais. A operação militar, em plena guerra fria, foi motivada principalmente pela preocupação dos ocidentais de impedir a todo preço o ex-Congo belga de cair no domínio soviético.
Dia 10 de outubro, Lumumba foi preso em sua residência, sendo depois detido dia 2 de dezembro pelas tropas do coronel Mobutu. Foi levado para a capital, depois transferido para Katanga, em Elisabethville hoje Lubumbashi onde foi assassinado com dois de seus colaboradores, após ter sido selvagemente torturado.


