Belgas protestam contra a crise política
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
France Presse 
Bruxelas - Mais de 30.000 belgas participaram neste domingo em Bruxelas na ''marcha da vergonha'', um protesto contra a crise política no país, que está sem governo há sete meses e meio, um recorde na Europa.
Esta é a primeira vez desde as eleiçõess legislativas de junho de 2010, que provocaram o atual bloqueio político, que os cidadãos manifestam de maneira tão veemente a irritação, em um país onde as divisões aumentam entre flamengos e francófonos.
''O que nós queremos? Queremos um governo'', gritavam os manifestantes, em sua maioria jovens, alguns vestidos de branco.
Esta foi uma maneira que os organizadores, que batizaram a passeata de ''marcha da vergonha'', encontraram de recordar o famoso ''desfile branco'' belga, que reuniu 300.000 pessoas em 1996 para protestar contra os crimes do assassino pedófilo Marc Dutroux.
Os manifestantes seguiram para o grande parque real do Cinquentenário, perto do centro da cidade, para ouvir discursos que exigiam o fim da paralisia aos partidos políticos.
''Um governo rápido!'' era possível ler em vários cartazes.
A Bélgica chegou ontem ao 224º dia sem um governo de fato. Em janeiro o país superou o recorde anterior da Europa, que pertencia desde 1977 a Holanda (208 dias).
O país se aproxima do triste recorde mundial, que pertence ao Iraque, que precisou de 289 dias para formar um gabinete em 2009.
A manifestação foi convocada por cinco estudantes, entre eles quatro flamengos, na internet.
Os flamengos (60% dos quase 11 milhões de belgas) querem uma autonomia reforçada para sua região, especialmente nas áreas fiscal e social.
Os francófonos buscam limitar a descentralização pelo temor de perder as transferências financeiras que recebem da parte flamenga. Também consideram o desejo da população de Flandres sobre o início da divisão do país.


