Ao contrário da semana passada, quando o astronauta brasileiro Marcos Pontes foi levado ao espaço, a cidade de Bauru, no interior de São Paulo, preparou diversas atividades para acompanhar a volta do seu filho mais ilustre. Às 20h56 de ontem (horário de Brasília), depois do fechamento desta edição, uma cápsula Soyuz cairia de pára-quedas no deserto do Casaquistão, trazendo à Terra Pontes e outros dois viajantes espaciais, o russo Valery Tokarev e o americano William McArthur, da Estação Espacial Internacional (ISS).
Pontes passou dez dias no espaço. A viagem de volta levaria apenas três horas e meia, começando com a separação da estação espacial, às 17h25. Em Bauru, pelo menos três telões foram instalados em locais públicos para que a população acompanhasse a descida. Outro seria instalado na casa da família de Pontes que, no dia 29 de março, recebeu centena de pessoas para ver o início da viagem.
''Acho que desta vez virá menos gente, pois haverá outros telões na cidade'', disse um dos irmãos de Pontes, Luiz Carlos. Na ida, a cidade praticamente ignorou o assunto naquela noite. Mas para hoje, a partir das 19 horas, estavam programados shows de bandas, apresentação de orquestra e corais, trio elétrico e a aparição de ex-combatentes da 2 Guerra na Praça 9 de Julho, no centro da cidade.
Depois que o astronauta descesse, seria exposta uma réplica do avião de Santos Dumont. A missão de Pontes recebeu o nome de Centenário em homenagem ao aviador, que há cem anos voou com o 14-Bis. Pontes só retornará a Bauru depois do dia 28. Antes, segue para sua casa, em Houston, Texas, nos EUA. Em São Paulo, está prevista uma carreata que o acompanhará do aeroporto a sua cidade natal.
Acordo - O vôo do astronauta fazia parte de um acordo pela participação do Brasil na construção da ISS, assinado em 1997 entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Nasa. O contrato previa a construção de seis peças para a estação, orçadas em US$ 120 milhões. Mas nenhuma delas foi construída.
Sem condições financeiras de cumprir o acordo, o Brasil foi obrigado a reduzir a participação na ISS. A situação se complicou após o acidente com o ônibus espacial Columbia, em 2003. Os vôos da Nasa foram suspensos e Pontes ficou sem lugar garantido na fila de astronautas. Restou ao País negociar com a Rússia um assento na nave Soyuz, único meio de transporte para a ISS. O preço da passagem: US$ 10 milhões.

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