Buenos Aires - O chanceler brasileiro Celso Amorim definiu como ''desnecessária'' a presença de uma base militar dos Estados Unidos no Paraguai, em referência à eventual implementação de instalações militares americanas no Chaco, a região ocidental do território paraguaio.
As declarações de Amorim vieram à tona pouco mais de 24 horas depois que foram publicadas as afirmações do vice-presidente do Paraguai, Luis Castiglioni, de que seu país estava interessado em oferecer ao governo do presidente George W. Bush colaboração na área de segurança regional em troca de um acordo de livre comércio que permitisse a entrada de produtos ''made in Paraguay'' no território americano.
O chanceler Amorim declarou à correspondente do jornal portenho ''Clarín'' em São Paulo que o Paraguai é um ''país soberano''. No entanto, relembrou que, por ser membro do Mercosul, possui certas obrigações com os outros sócios do bloco.
Segundo Amorim, ''quando se realizam acordos econômicos há uma escolha, e neste caso o Paraguai deve compreender que a opção é entre o Mercosul e outros eventuais sócios. Um acordo comercial solitário não é compatível com os demais sócios do bloco'', explicou.
No Paraguai, a oposição ao governo do presidente Nicanor Duarte Frutos alega que o país está sendo ''entregue'' para a instalação de uma base militar na área do vilarejo de Mariscal Estigarribia, a 200 quilômetros da fronteira com a Bolívia.
Os líderes da oposição argumentam que, dali, as tropas americanas poderiam realizar intervenções nas zonas de conflitos sociais na Bolívia, na Tríplice Fronteira, e de quebra, teriam acesso ao aquífero Guarani, uma das maiores reservas de água potável do mundo.
Além disso, reclamam da concessão de imunidade jurídica feita pelo governo paraguaio às tropas americanas enquanto elas estiverem no território desse país. O governo retruca, alegando que não se trata de uma imunidade jurídica ''total'', mas apenas ''parcial''.
As suspeitas de uma instalação de uma eventual base foram reforçadas pela presença de tropas americanas nas redondezas de Mariscal Estigarribia, que apesar de ser um vilarejo sem importância econômica, possui uma pista de pouso maior que a do aeroporto internacional de Assunção, a capital.
O clima na capitais do Cone Sul é de desconfiança em relação ao desembarque das tropas americanas, que chegaram ao Paraguai há mais de um mês para a realização de 13 exercícios militares até dezembro de 2006.
''Nós, em momento algum estamos renunciando ao Mercosul nem ao fortalecimento do bloco. O que estamos dizendo, sim, é que temos o direito, a liberdade de procurar alternativas que possam fazer com que as pessoas de meu país possam viver melhor através do comércio com outras regiões'', disse Castiglioni.

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