Barco volta a Cotonu e o mistério persiste
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terça-feira, 17 de abril de 2001
France Presse De Cotonu, Benin 
A viagem do Etireno acabou na noite de segunda-feira com a chegada do barco ao porto de Cotonu, com cerca de 40 crianças a bordo, mas ainda não se sabe se elas são realmente vítimas de tráfico infantil. O Etireno, barco que poderia estar transportando até 250 crianças para trabalhos forçados no Oeste da África, atracou pouco depois de uma da madrugada de segunda-feira, conforme comprovou um correspondente da AFP. Cansados e aliviados, os 147 passageiros, entre eles pelo menos 23 crianças entre 5 e 14 anos, e outros 20 adolescentes, desembarcaram imediatamente. Várias organizações humanitárias e a Cruz Vermelha beninense cuidaram das crianças.
Ainda não temos certeza de que estamos lidando com tráfico infantil. Vamos cuidar dessas 23 crianças e amanhã vamos interrogá-las, uma a uma, declarou à AFP Elisabeth Ponce, uma equatoriana que trabalha para a organização
não-governamental (ONG) Terra dos Homens.
Embora a hipótese de tráfico infantil não esteja excluída, principalmente no caso dos 20 adolescentes que se encontravam a bordo, confirmou-se que algumas crianças viajavam acompanhadas dos pais.
Os passageiros passaram duas semanas em dois grandes compartimentos mobiliados com cadeiras e alguns beliches.
O barco atracou no cais número 5, onde era aguardado por policiais, representantes da Unicef, da entidade Terra dos Homens, da Cruz Vermelha Beninense e por dois ministros de Benin: o dos Transportes, Atin Suru, e a de Proteção e Assuntos Sociais, Ramatu Babamussa.
O Etireno, de bandeira nigeriana mas fretado por um beninense, partiu na última quinta-feira do porto de Douala (Camarões), onde foi recusado pelas autoridades. Também foi proibido de atracar em portos do Gabão.
Segundo a declaração de embarque, quando zarpou de Cotonu no último dia 30 de março, transportava 139 passageiros, dentre os quais sete crianças. Mas as autoridades portuárias reconhecem que a possibilidade de que tenham subido a bordo clandestinos não pode ser descartada.
Os passageiros do Etireno desembarcaram no porto de Cotonu, mas o capitão nigeriano e outros membros da tripulação permanecem retidos a bordo e vigiados por agentes da brigada especial portuária, na noite de ontem.
Os passageiros, além das crianças transferidas para centros de alojamento, já foram, e os responsáveis consideraram que, por razões de investigação, o capitão e a tripulação deveriam permanecer a bordo, declarou um agente do Comissariado Especial do porto.


