Barak sofre nova derrota no Parlamento
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quarta-feira, 02 de agosto de 2000
Associated Press De Jerusalém 
Um desafiador primeiro-ministro Ehud Barak prometeu ontem levar à frente seus esforços de paz, apesar de ter sofrido mais dois reveses políticos a renúncia de seu ministro do Exterior e a decisão do parlamento de pressionar por eleições antecipadas.
As duas iniciativas foram uma reação à disposição do primeiro-ministro de fazer concessões aos palestinos. Elas foram os mais recentes golpes, e certamente não serão os últimos, visando nocautear o governo moderado de Barak, após a renúncia da maioria de seus parceiros de coalizão devido à mesma questão da paz.
David Levy anunciou sua renúncia numa disputada entrevista coletiva no próprio escritório de Barak no prédio do parlamento. Ele disse que Barak quebrou um acordo, ao oferecer aos palestinos o controle de partes de Jerusalém. Levy afirmou que não poderia tentar explicar coisas com as quais não concordo.
Então, o parlamento aprovou numa primeira leitura um projeto de lei convocando eleições antecipadas tanto para primeiro-ministro quanto para o Knesset. O projeto recebeu 61 votos favoráveis entre os 120 membros da casa, os necessários para futuras aprovações. Apenas 51 parlamentares votaram contra, e seis se abstiveram.
Barak pode ser salvo pelo gongo do calendário parlamentar. Depois de ter dado sua aprovação inicial ao projeto, o parlamento entrou em recesso de três meses, dando ao pressionado primeiro-ministro tempo para tentar sedimentar um novo governo e finalizar um acordo de paz com os palestinos.
Os palestinos dizem que Barak tem agora de agir com rapidez. Acho que o caminho no sentido de uma solução está aberto para ambos os lados, afirmou o negociador palestino Nabil Shaath. Se o senhor Barak decidir... ficar amarrado ao seu desejo de ter uma maioria ao redor dele, ou se começar a pensar nas eleições mais do que no processo de paz, então ele provavelmente perderá ambos.
Os dois lados não conseguiram chegar a um esboço de um tratado de paz numa cúpula de duas semanas em Camp David, nos arredores de Washington, apesar de um intenso envolvimento pessoal do presidente americano, Bill Clinton. Barak e Clinton declararam que em vista da rejeição dos palestinos, as ofertas de Israel foram retiradas da mesa. Levy advertiu que, agora, um acordo exigiria concessões ainda maiores, e o povo israelense não as aceitaria.
Barak afirmou que nenhuma concessão foi realmente feita já que não houve acordo. Ele disse que irá continuar com seus esforços, mas ainda estamos bem distanciados e precisamos de uma certa flexibilidade do outro lado.
Sorrindo tranquilamente, Barak disse que a saída de Levy era esperada e a lamentou , mas estou comprometido, acima de tudo, em levar o Estado de Israel para frente e evitar o perigo da guerra, fortalecendo o país por intermédio de acordos de paz.
A maioria dos analistas não compartilha o otimismo de Barak e não acredita que ele conseguirá permanecer muito mais tempo no poder. Perguntado que opções tem Barak para reconstituir seu governo, o analista político Hanan Kristal replicou: Nenhuma.
Parlamentares linhas-duras da oposição disseram que a contagem regressiva para a queda de Barak já começou. Ninguém pode ter uma maioria em torno de um plano para dividir Jerusalém, afirmou o líder do oposicionista Likud, Ariel Sharon.


