Barak renuncia e antecipa eleições
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 11 de dezembro de 2000
Das Agências De Jerusalém 
As já escassas possibilidades de se conseguir um acordo entre israelenses e palestinos antes das próximas eleições em Israel, antecipadas para fevereiro, desapareceram quase totalmente ontem, com a renúncia do premier israelense, Ehud Barak.
Pouco depois de Barak formalizar a renúncia, o direitista israelense Benjamin Netanyahu anunciou sua candidatura à chefia de governo. Parecendo alegre e confiante, Netanyahu disse que não esperava voltar tão cedo ao cenário político, mas sentiu que não tinha outra resposta ao que ele chamou de exortações públicas para que ele assumisse no lugar de Barak.
O primeiro-ministro, que concorrerá à reeleição, mas está bem atrás do direitista nas pesquisas de opinião, tem a vantagem de uma lei especial, segundo a qual Netanyahu não pode candidatar-se porque não tem uma cadeira no Parlamento. Ele abandonou sua cadeira e a liderança do Likud depois de ter sido derrotado nas eleições de maio de 1999 por Barak, do Partido Trabalhista.
Netanyahu declarou que é candidato para primeiro-ministro e pediu ajuda do Parlamento a aprovar uma legislação que lhe permitirá concorrer ao cargo.
O líder palestino, Yasser Arafat, descartou a possibilidade de fazer concessões para conseguir um acordo a qualquer preço, que permita que Barak faça campanha para derrotar o candidato do Likud (partido de direita).
Vários palestinos acham que teriam vantagens com a volta ao poder da direita nacionalista, à medida que isto provocaria o isolamento imediato de Israel no cenário internacional, como aconteceu entre 1996 e 1999, sob o regime de Netanyahu.
A dirigente palestina Hanane Achraui disse que, após mais de dez semanas de confrontos, não é o momento de estender a mão a Barak, reconhecendo no entanto que haverá pressões políticas em massa sobre os palestinos (...)
Mais mortos Ontem, a violência entre israelenses e palestinos, fez mais duas vítimas. Um palestino morreu vítima da ação de soldados israelenses, durante confrontos na cidade de Beit Furik, no Norte da Cisjordânia. E Mahmod Yussef Moghrabi, membro do Fatah, movimento do líder palestino Yasser Arafat, morreu perto de Belém, segundo uma fonte da Segurança palestina.


