France PresseBenjamin Netanyahu critica renúncia dos candidatos durante conferência de imprensaCom as renúncias ontem do candidato direitista Binyamin Begin - conhecido como Benny - e do centrista Yitzhak Mordechai, o trabalhista Ehud Barak tornou-se o único oponente do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu nas eleições gerais de hoje.
Barak chega ao fim da campanha como franco favorito: de acordo com as últimas pesquisas, tem de cinco a seis pontos porcentuais de vantagem sobre Netanyahu e foi o maior beneficiado pela retirada das candidaturas de Mordechai e do árabe (o primeiro da história a pleitear a chefia do governo de Israel) Azmi Bishara, ocorrida sábado.
Além disso, a desistência dos demais candidatos põe fim à possibilidade de que haja segundo turno, previsto para 1º de junho, quando Netanyahu esperava recuperar-se eleitoralmente para a disputa com Barak.
France PresseEhud Barak tem de cinco a seis pontos de vantagem, segundo as pesquisasA nova votação seria realizada entre os dois candidatos mais votados do primeiro turno, caso nenhum deles superasse o porcentual de 50% dos votos válidos. O primeiro-ministro israelense é eleito diretamente desde 1996.
Os israelenses devem eleger ainda os 120 deputados do Knesset (Parlamento). De acordo com analistas, as urnas já se abrem com pelo menos uma certeza: qualquer que seja o chefe de governo eleito, ele não terá maioria parlamentar e precisará compor-se com os pequenos partidos para poder governar.
Acima das doutrinas políticas ideológicas, o que tem determinado a aproximação ou não das agremiações no Parlamento vem sendo as posições em relação ao processo de paz com os palestinos, estagnado desde a chegada de Netanyahu ao poder, e no confronto entre religiosos e laicos.
As peças movidas no fim de semana deixaram o atual primeiro-ministro em xeque no complicado xadrez da política israelense. Netanyahu já havia reconhecido que não venceria Barak no primeiro turno, mas garantia que venceria no segundo.
Com a retirada da candidatura de Mordechai - que mantém uma posição de moderação em relação ao processo de paz - e do árabe Bishara, a candidatura de Benny Begin tornou-se uma dor de cabeça para os assessores de Netanyahu.
Haveria prejuízo tanto com a renúncia, que sepultou a esperança de uma recuperação no segundo turno, quanto com a manutenção da candidatura, que dividiria os votos do campo conservador, enquanto os do campo oposto se concentrariam em Barak.
‘‘Dados os fatos ocorridos nas últimas 48 horas, decidi retirar minha candidatura para não prejudicar o primeiro-ministro Netanyahu’’, disse Begin, filho de um dos fundadores do Partido Likud e ex-primeiro-ministro do Estado judeu, Menachem Begin.
Em entrevista coletiva, Barak afirmou ontem que o Partido do Centro, do qual Mordechai é um dos fundadores, será parte importante do governo que ele pretende formar. Mas negou que seu Partido Trabalhista tivesse fechado um acordo com Mordechai para que ele renunciasse.
‘‘A decisão dele (Mordechai) foi a correta, mas ela foi consequência das circunstâncias e não de um acordo’’, declarou. Oficialmente, o Partido do Centro anunciou que a retirada da candidatura visava a evitar que Israel tivesse de arcar com os custos de um 2º turno.
‘‘Este é um dia triste para Israel’’, reagiu Netanyahu às renúncias de Bishara e Mordechai, acusando este, que foi seu ministro da Defesa até janeiro, de ter-se unido à ‘‘coalizão esquerdista apoiada por Yasser Arafat (presidente da Autoridade Palestina e líder da Organização de Libertação da Palestina)’’ e perdido a credibilidade.

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