Depois de estar à beira de um colapso, as tumultuadas negociações de paz para o Oriente Médio renovaram-se nesta quinta-feira em Camp David, com os dois lados lutando para resolver suas disputas de 52 anos.
‘‘Eles estão determinados’’, garantiu um porta-voz norte-americano.
O primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, e o presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, decidiram no início da madrugada de ontem voltar à mesa de negociações apenas duas horas depois de o porta-voz da Casa Branca, Joe Lockhart, ter anunciado o fracasso da cúpula.
Os dois líderes concordaram em fazer nova tentativa de chegar a algum acordo até domingo à noite ou segunda-feira de manhã, quando o presidente norte-americano Bill Clinton retornará do Japão, onde participará do encontro do Grupo dos Oito.
‘‘Não devemos ter ilusões sobre a difícil tarefa que enfrentamos, mas não deve haver limites no esforço que nos preparamos para fazer’’, afirmou Clinton à imprensa ao anunciar a reviravolta.
Afônico e aparentando cansaço, ele admitiu que há ‘‘um abismo substancial’’ entre as partes. Clinton reunira-se até tarde da noite de quarta-feira com Barak e Arafat, em separado. Pela manhã, ele havia adiado a partida para o Japão, num último esforço para buscar algum entendimento.
A cúpula ficou travada na negativa de israelenses e palestinos de fazer concessões sobre a questão mais delicada do processo de paz: o destino de Jerusalém Oriental.
Contudo, tanto negociadores da AP como de Israel têm insistido, sob condição de anonimato, ser improvável que haja avanços substanciais até domingo.
A secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright, assumiu a função de mediadora e pela manhã se reuniu com as duas delegações depois de conversar com negociadores norte-americanos.
A Rádio Israel informou ontem, citando fontes na delegação do país em Camp David, que Barak ‘‘vai esperar, até a volta de Clinton, por uma resposta de Arafat sobre uma proposta do presidente norte-americano de estabelecimento de soberania compartilhada nos bairros árabes de Jerusalém Oriental’’.
Se o líder palestino não aceitá-la ou não se pronunciar sobre ela, Barak abandonará a cúpula. A divisão do poder nos bairros árabes teria como condição sua desmilitarização, segundo a rádio.
Israel conquistou Jerusalém Oriental, a Faixa de Gaza e a Cisjordânia na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Logo depois, anexou a cidade.
A ocupação foi condenada por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU exigindo a retirada israelense desses territórios.
Mas em 1980 o país declarou toda a cidade sua ‘‘capital eterna e indivisível’’. Os palestinos exigem o cumprimento das decisões da ONU e querem fazer de Jerusalém Oriental sua capital.
Desde o início das conversações, no dia 11, israelenses e palestinos se acusam de intransigência e falta de seriedade nas negociações, que ameaçam abandonar.
Barak chegou a enviar na quarta-feria uma carta a Clinton anunciando sua saída da cúpula e acusando os palestinos de não negociar em boa-fé.
As duas partes teriam de chegar a um acerto definitivo até 13 de setembro. As questões conflitivas são quatro: o status de Jerusalém, o destino dos cerca de 3,5 milhões de refugiados palestinos; o futuro das colônias judaicas na Faixa de Gaza e Cisjordânia; a fronteira de um Estado palestino.
O mini-Parlamento da Organização de Libertação da Palestina (OLP) estabeleceu 13 de setembro para a proclamação do Estado, com ou sem acordo.

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