Associated Press
De Damasco
A Síria notificou ontem a secretária de Estado norte-americana Madeleine Albright que estaria disposta a negociar a paz com Israel se for assegurada a devolução das Colinas do Golan. As conversações entre Síria e Israel foram suspensas há três anos, quando Israel estava prestes a devolver a Damasco as Colinas do Golan, ocupadas por Israel em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias.
Albright chegou a Damasco após conseguir um acordo entre israelenses e os palestinos, pelo qual Israel se retirará de 11% da Cisjordânia. O primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, e o presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, asssinariam ontem à noite no balneário egípcio de Sharm el-Sheik, o acordo acertado na véspera que retoma o processo de paz no Oriente Médio depois de oito meses de estagnação.
Israelenses e palestinos se comprometeram a iniciar em 13 de setembro as negociações que desembocarão, em um ano, em um regulamento sobre o estatuto final dos territórios ocupados por Israel. Nestas negociações se falará em um primeiro momento da definição de um acordo-macro para determinar o esboço e os grandes princípios de um regulamento final.
Os seis problemas que ocuparão o centro das negociações:
1) CRIAÇÃO DE UM EVENTUAL ESTADO PALESTINO E SEUS PODERES
O primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, declarou em julho passado a existência ‘‘de fato’’ de um Estado palestino, projetando inclusive oferecer aos palestinos o reconhecimento deste Estado nas negociações sobre o estatuto final. Mas os israelenses advertiram que um Estado palestino teria que estar desmilitarizado e que nenhum exército estrangeiro poderia ser mobilizado no vale do Jordão. Além disso, os palestinos não poderiam equipar-se com armas pesadas.
2) TRAÇADO DAS FRONTEIRAS DA ENTIDADE PALESTINA
Os palestinos exigem a aplicação das resoluções 242 e 338 das Nações Unidas, ou seja, uma retirada israelense de todos os territórios ocupados em 1967, inclusive Jerusalém Oriental.
Barak, por sua vez, rejeitou uma volta às fronteiras de Israel da época anterior à guerra de junho de 1967 e afirmou que seu país não devolverá o vale do Jordão. O premier israelense pretende ainda anexar as áreas em que se concentra a maior dos assentamentos da Cisjordânia, especialmente ao redor de Jerusalém.
Atualmente, a Autoridade Palestina controla 29% dos territórios, número que passará a 40% em janeiro, ao final da aplicação do acordo de Charm el-Cheij. A superfície final da entidade palestina e sobretudo o traçado exato de suas fronteiras dependerão da extensão da terceira e última retirada militar israelense prevista pelos acordos de Oslo de 1993.
3) O ESTATUTO DE JERUSALÉM
Israel conquistou Jerusalém Oriental, a parte árabe da cidade, durante a guerra dos Seis Dias de 1967 e a anexou em seguida. O Estado israelense considera a cidade sua capital ‘‘una e indivisível’’ e afirma que esta posição não é negociável. A Autoridade Palestina quer que Jerusalém oriental seja a capital do Estado palestino e afirma que isto tampouco é negociável.
4) A SORTE DOS REFUGIADOS
Há 3 milhões de refugiados palestinos que vivem nos países da região. Alguns foram expulsos do território que se tornou em 1948 o Estado de Israel (mais de 700 mil entre 1,2 milhão de palestinos se viram condenados ao exílio), os outros fugiram da Cisjordânia durante o conflito de 1967.
5) O FUTURO DAS COLÔNIAS ISRAELENSES
Barak afirma que Israel manterá certos assentamentos criados na Cisjordânia e na faixa de Gaza.
6) CONTROLE DOS RECURSOS DE ÁGUA
Israel reserva para si 80% dos lençóis freáticos no subsolo da Cisjordânia. Os palestinos querem uma divisão equitativa.Enquanto palestinos e israelenses retomam acordo de paz, a Síria insiste na devolução das Colinas do Golan para retomar negociação
France PresseMediaçãoA secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright (d), conversou ontem com o presidente sírio Hafez al-Assad

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