Barak diz que não acredita em acordo
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sábado, 11 de novembro de 2000
France Presse De Jerusalém 
O primeiro-ministro israelense Ehud Barak mostrou-se ontem pessimista em relação ao processo de paz antes de seu encontro amanhã com o presidente norte-americano Bill Clinton, enquanto a Intifada e sua repressão causaram ontem mais três mortos na Faixa de Gaza.
Estou pessimista em relação às possibilidades de reiniciar o processo depois de minhas entrevistas com Clinton, declarou Barak durante uma entrevista à imprensa em uma base do exército israelense perto de Ramallah na Cisjordânia, informou seu porta-voz David Ziso.
Meu objetivo em Washington será em primeiro lugar deter a violência nos territórios palestinos, disse Barak, segundo Ziso.
Barak deve viajar hoje à noite aos Estados Unidos, onde seu programa prevê em particular um encontro domingo na Casa Branca com o presidente Clinton, cujo mandato termina no dia 20 de janeiro. Clinton se reuniu anteontem com o presidente palestino, Yasser Arafat.
Dois palestinos morreram ontem em consequência de disparos de soldados israelenses durante choques perto do Passo de Erez, entre a Faixa de Gaza e Israel, informaram fontes médicas. A terceira vítima palestina morreu durante choques perto de Jenin, Norte da Cisjordânia.
Estas vítimas elevam a 199 o número de mortos, em sua maioria quase absoluta árabes, desde o início da Intifada, no dia 28 de setembro passado.
Nos arredores da Cidade Velha de Jerusalém, na parte leste da Cidade Santa, um policial israelense foi levemente ferido ontem de manhã em um atentado com explosivos, segundo fontes policiais.
A explosão ocorreu perto da Porta das Flores, um dos acessos à Cidade Velha e, segundo a investigação preliminar da polícia, trata-se de um atentado palestino. A polícia isolou as ruas vizinhas e rastreou o setor.
O Conselho Central da OLP não se reunirá até o próximo dia 15 para examinar a proclamação unilateral de um Estado palestino, como pretendia fazer, anunciou esta sexta-feira em Gaza seu presidente, Salim al Zaanun.
O Fatah, movimento do presidente palestino Yasser Arafat, disse ontem que pretende vingar um de seus chefes militares, morto ontem durante uma incursão aérea em Beit Sahur, perto de Belém, no Sul da Cisjordânia.
Cerca de 30 mil palestinos desfilaram ontem na Faixa de Gaza lançando ameaças de morte contra o primeiro-ministro israelense Ehud Barak para vingar Hussein Abayat, chefe militar do Fatah assassinado na véspera durante uma incursão aérea de Israel em Beit Sahur (Cisjordânia).
Cerca de 300 homens armados, muitos dos quais disparavam para o ar com suas armas automáticas, e uns cem homens mascarados participaram na manifestação.
Morte a Barak, morte a (Shaul) Mofaz, general e chefe do Estado Maior israelense, gritavam os manifestantes, reunidos perto do cemitério de Jan Yunes, sul da Faixa de Gaza, a 500 metros do setor das colônias judias de Gush Katif, para assistir aos funerais de um jovem palestino de 14 anos.
O exército israelense impôs ontem à tarde um bloqueio em torno das cidades de Belém e Ramallah, na Cisjordânia, por causa de choques armados ocorridos na entrada dessas duas cidades, anunciou um porta-voz militar.


