Barak continua na disputa em Israel
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sexta-feira, 02 de fevereiro de 2001
Associated Press De Jerusalém 
Poucas horas antes de terminar o prazo legal para que um candidato renunciasse em favor de outro, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, voltou a frisar que jamais desistiria de sua candidatura. De acordo com a legislação local, um postulante pode ceder o lugar a outro do mesmo partido até quatro dias antes da eleição, que serão realizadas na terça-feira, dia 6, período que se encerraria à meia-noite de ontem (20 horas em Brasília). Havia forte pressão no Partido Trabalhista para que Barak renunciasse em favor do ex-primeiro-ministro e atual ministro da Cooperação Regional, Shimon Peres.
Ninguém ousou aproximar-se de mim para me pedir isso, e fez muito bem, afirmou o chefe de governo em entrevista a uma TV israelense. Mesmo assim, havia ainda até o fim da noite a expectativa de que ele mudasse de idéia. Barak também descartou a possibilidade de encontrar-se com o presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, antes da eleição.
Pesquisa de intenção de voto da empresa Rafi Smith, divulgada ontem, apontou 46% para Sharon e 27% para Barak. Se estivesse enfrentando Peres, Sharon teria 46% dos votos e o ex-primeiro-ministro, 40%. Levantamento do Instituto Gallup, do início da semana, indicou empate entre Peres e Sharon, com 46%.
Relatório da chancelaria israelense isentou ontem Sharon de responsabilidade pela Intifada, por ter ido em setembro a um local sagrado disputado por judeus e muçulmanos, em Jerusalém.
Ontem, dois israelense e um palestino foram mortos nos territórios ocupados. Ahmed Mouhasim, de 22 anos, do campo de refugiados palestinos de Jabaliya, próximo à Cidade de Gaza, foi assassinado a tiros por soldados israelenses no cruzamento de Karni. Segundo militares israelenses, os soldados apenas responderam ao fogo palestino.
Horas mais cedo, o israelense Lior Atias, de 23 anos, foi morto a tiros quando foi buscar seu carro em uma oficina em Jenin, na Cisjordânia. Ao anoitecer, palestinos abriram fogo contra um veículo próximo à cidade de Hebron, matando outro israelense. O carro estava em uma estrada utilizada por colonos judeus para passar entre cidades palestinas. Não foi informada imediatamente a identidade da vítima.
Em quatro meses de violência, 381 pessoas morreram, incluindo 321 palestinos, 13 árabes-isralenses, 46 outros israelenses e um médico alemão.
Por outro lado, o movimento do presidente palestino Yasser Arafat, Al Fatah, e mais cinco organizações palestinas afirmaram ontem que vão prosseguir a Intifada, a revolta, como opção estratégica, paralelamente às conversações de paz.
Depois de 10 anos de negociações sem resultados, a Intifada é uma opção estratégica para o povo palestino com o objetivo de conquistar um Estado independente e viável, afirmaram em um comunicado os líderes destes movimentos em Jerusalém, após uma reunião na parte oriental da cidade, ocupada e anexada por Israel desde 1967.
Estas organizações frisaram a importância de continuar a Intifada, acrescentando que não têm nenhuma objeção ao princípio de negociação.


