Barak assume prometendo paz aos árabes
Associated Press
O líder trabalhista Ehud Barak tomou posse ontem em Jerusalém como chefe de governo de Israel estendendo as mãos para a paz com os vizinhos árabes. Num apaixonado discurso para um cativado Parlamento, o ex-chefe do Estado-Maior pediu que os palestinos olhem para o futuro, prometeu retomar as negociações com a Síria sob o princípio da troca de terras por paz e garantiu que retirará as tropas israelenses do Líbano em um ano.
Conclamo todos os líderes da região a estender suas mãos ao encontro das nossas mãos estendidas e forjar a paz dos bravos, afirmou o militar mais condecorado de Israel, que bateu por ampla margem o direitista Benjamin Netanyahu na eleição de 17 de maio para primeiro-ministro e construiu uma ampla coalizão que lhe garante 75 das 120 cadeiras do Parlamento.
Barak ressaltou que essa coalizão está determinada a fazer as conversações com a Síria (suspensas há três anos) avançarem o mais rápido possível, com base nas Resoluções 242 e 336 da ONU ) - o sinal mais claro de que ele pretende oferecer de volta grande parte das colinas sírias do Golã (ocupadas por Israel em 1967) em troca da paz total. Éramos inimigos duros e implacáveis no campo de batalha, assinalou o novo primeiro-ministro, dirigindo-se ao presidente sírio, Hafez Assad. Chegou a hora de construir uma paz aberta e brava que garanta o futuro e a segurança de nossos povos nossos filhos e nossos netos.
Procurando afastar os temores palestinos de que esteja priorizando a paz com os sírios, Barak afirmou que pretende negociar simultaneamente com todos os vizinhos árabes. Estas duas tarefas juntas - alcançar um acordo permanente com os palestinos e a paz com a Síria e o Líbano - são igualmente vitais e urgentes, disse o novo primeiro-ministro. Conheço não só a dor do meu povo, como também a do povo palestino, afirmou. Não podemos insistir nos erros históricos, mas olhar para o futuro, acrescentou, prometendo trabalhar com o presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, para alcançar um arranjo de coexistência, liberdade, prosperidade e boa vizinhança.
Em Gaza, Arafat mostrou-se satisfeito com a posição do novo líder israelense. Estamos prontos para trabalhar juntos para alcançar a paz dos bravos, disse Arafat. Mas fez questão de acrescentar: A questão palestina é a questão central do mundo árabe.
Antes da apresentação do gabinete, Barak se viu envolvido por uma onda de críticas, inclusive de amplos setores dos trabalhistas, com a imprensa israelense em sua totalidade afirmando que o premier escolheu as pessoas equivocadas para as tarefas equivocadas. As maiores críticas se referem ao fato de Barak ter colocado apenas uma mulher no gabinete que não conta com nenhum representante dos árabes israelenses.
Netanyahu, que paralisou as negociações com a Síria e os palestinos e ampliou as colônias judaicas em terras árabes, ouviu todo o discurso de Barak impassível, mas concordou com a cabeça quando seu sucessor disse esperar que a amizade pessoal de ambos continue. Depois do discurso, Netanyahu anunciou que estava abandonando sua cadeira no Parlamento e a vida política e saiu do edifício cumprimentando alguns deputados.





