Em uma carta enviada ontem a líderes estrangeiros, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, fez seu mais claro pronunciamento em favor da criação de um ‘‘Estado palestino viável’’, um dia antes de o líder da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, reunir-se em Washington com o presidente norte-americano Bill Clinton.
Barak frisou que o novo país tem de ser resultado de um acordo de paz e voltou a advertir Arafat a não declarar unilateralmente um Estado independente.
Os palestinos haviam definido, a princípio, a data de 15 de novembro para a proclamação, que será discutida em um encontro de seu miniparlamento, marcado para esse dia.
As duas partes chegaram a um acordo na semana passada para pôr fim aos confrontos em Gaza e na Cisjordânia – territórios árabes ocupados por Israel em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias – e na terça-feira a onda de violência parecia diminuir de intensidade.
Entretanto, ontem voltou a agravar-se e resultou na morte de seis pessoas – cinco palestinos e uma israelense.
Com essas vítimas eleva-se para 178 o número de mortes – 165 dos quais palestinos, sendo 50 menores de idade – desde 28 de setembro, quando começou a atual crise.
Barak ordenou ontem uma investigação sobre a morte de 13 árabes israelenses por policiais durante manifestações de protesto no país.
O Exército informou que uma mulher foi morta e um homem ferido quando se dirigiam a Rafah, na fronteira entre Gaza e o Egito. Segundo os militares, palestinos armados, perto do Aeroporto Internacional de Gaza, atiraram neles. Por essa razão, Israel fechou novamente o aeroporto e a fronteira com o Egito, impedindo a entrada de remédios para os palestinos.
Arafat fará amanhã um apelo ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para que envie uma força de paz aos territórios, para deter o uso da violência por parte de Israel.
Ontem, a alta comissariada da ONU para Direitos Humanos, a irlandesa Mary Robinson, chegou à região.
O presidente palestino Yasser Arafat vai chegar hoje a Washington, onde se reunirá com o presidente americano Bill Clinton, com quem insistirá para que aceite a instalação de uma força internacional nos territórios palestinos, depois de seis semanas de violência.
Arafat espera vencer a oposição americana ao envio de uma força internacional à Cisjordânia e à Faixa de Gaza, e também deseja a formação de uma comissão que investigue o abuso excessivo da força por parte de Israel contra os palestinos e seus ‘‘crimes de guerra’’.
Rumo a Washington, Arafat fez escala no Cairo, onde se reuniu com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, e passou por Londres, para se reunir com o premier britânico, Tony Blair. No final da reunião, Mubarak disse que ‘‘Arafat quer conseguir a paz e recuperar suas terras’’. Clinton se reunirá separadamente domingo com o premier israelense Ehud Barak.
O negociador palestino, Saeb Erakat, que acompanhava o presidente da Autoridade Palestina, afirmou terça-feira que ‘‘soldados israelenses estão cometendo crimes de guerra e devem ser levados à justiça’’.
Segunda-feira os Estados Unidos indicaram que estariam dispostos a estudar o envio de uma força internacional, que deve, entretanto, ser aprovada pelas duas partes.
Mas Barak se declarou ‘‘categoricamente contrário’’ a essa idéia, estimando que uma força internacional só agravará a situação reinante.
Quanto à comissão investigadora, os Estados Unidos anunciaram terça-feira a composição de uma ‘‘comissão de estabelecimento de fatos’’ sobre a violência nos territórios palestinos.

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