France PresseFestaMilhares de crianças desfilam pelas ruas de La Paz nas comemorações da IndependênciaO general Hugo Banzer Suárez, que governou a Bolívia com mãos de ferro entre 1971 e 1978, reassumirá a Presidência amanhã, 25 anos após ter tomado pela força o mesmo palácio Quemado e instaurado uma ditadura que durou sete anos.
Banzer Suárez, de 71 anos, foi eleito ontem pela maioria do Congresso, após ter conquistado o primeiro lugar nas eleições presidenciais diretas com 20,88% dos votos, resultado que o habilitou para a eleição indireta, prevista pela Constituição boliviana.
Democrata tardiamente convertido, Banzer fundou seu próprio partido político (Ação Democrática Nacionalista, ADN) em 1979, um ano depois de um motim militar encabeçado por um oficial de sua confiança que o tirou do governo.
Com uma impecável formação militar, Banzer assaltou o poder em 1971 apoiado por dois encarnados rivais políticos: o caudilho do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR, partido governamental em exercício), Víctor Paz Estenssoro e o conservador Mario Gutiérrez (falecido) da quase desaparecida Falange Socialista Boliviana (FSB).
Durante seu regime, 14.750 pessoas foram presas por causa de seus ideais políticos, outras 19.140 foram mandadas para o exílio e mais de 200 morreram, entre elas quase uma centena de camponeses que resistiram em 1974 a um rígido pacote de medidas econômicas antipopulares, segundo dados dos gabinetes de direitos humanos.
O ex-ditador tentou em 18 anos de democracia - interrompida por dois anos por sucessivos golpes militares entre 1980 e 1982 - inscrever-se na lista dos democratas e participou como tal de seis eleições consecutivas das quais venceu duas, em 1985 e 1997.
Em 1985, não conseguiu chegar ao poder, pois o congresso bicameral decidiu outorgar a presidência a Paz Estenssoro.
Em sua sexta e aparentemente última tentativa eleitoral, Banzer conseguiu um apoio importante dos cidadãos que, no entanto, não foi suficiente para levá-lo de volta ao Palácio Quemado de La Paz pelas urnas.
Segundo a Constituição Política, se nenhum dos candidatos consegue a ‘‘metade mais um’’ dos votos, os dois candidatos mais votados disputam a Presidência no âmbito do Congresso.
Banzer deve tomar posse amanhã, dia da independência boliviana, na presença dos presidentes Carlos Menem (Argentina), Ernesto Samper (Colômbia), Fabián Alarcón (Equador), Juan Carlos Wasmosy (Paraguai), Alberto Fujimori (Peru) e Julio María Sanguinetti (Uruguai).

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