O presidente da Bolívia, Hugo Bánzer, advertiu que sua decisão de erradicar as plantações de coca ‘‘não é negociável’’, e atribuiu a violência que tomou conta do país nos útimos dias a uma conspiração dos narcotraficantes.
Após duas semanas de desordens e protestos que deixaram pelo menos dez mortos e uma centena de feridos, Bánzer, em mensagem ao país na noite de anteontem, disse que ‘‘estamos diante de um levante; é uma conjuração que está sendo armada há muito tempo’’.
Os distúrbios – greves, manifestações de protesto de vários grupos e bloqueio de estradas pelos ‘‘cocaleros’’ (plantadores de coca) – causaram ao país, segundo o governo, um prejuízo de US$ 100 milhões.
Bánzer, no entanto, propôs prosseguir dialogando com os grupos envolvidos nos protestos, com a mediação da Igreja Católica, da Defensoria do Povo e da Assembléia de Direitos Humanos.
Ao mesmo tempo, porém, o presidente boliviano advertiu que não tolerará desordens nem violência, e advertiu que o governo atuará com maior energia do que até agora, já que sua atitutde ‘‘prudente e conciliadora... foi confundida com uma aparente falta de autoridade’’.
Para Bánzer, as exigências dos ‘‘cocaleros’’ de que o governo suspenda o programa de erradicação das plantações de coca – que é a matéria-prima para fabricação da cocaína – equivalem a ‘‘entregar nossa pátria ao narcotráfico’’.

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