France Presse Os balonistas Bertrand Piccard e Brian Jones foram resgatados do deserto egípcio ontem por um helicóptero militar e levados a uma cerimônia com a participação de oficiais e jornalistas. Eles desceram sem problemas às 6h03, (3h03 de Brasília), após efetuarem a primeira volta ao mundo em balão, anunciou o centro de controle da expedição, em Genebra. O Breitling Orbiter III aterrissou no oásis de Dajla, 800 km a sudoeste do Cairo.
Descrevendo o recorde de dar a volta ao mundo em um balão em 21 dias como uma das ‘‘experiências mais incríveis da minha vida’’, Jones disse que terminou a missão com Piccard como bons amigos e que a pior parte da viagem foi aguentar o frio.
O vento forte ajudou a aterrissagem do balão, segundo Jones. Entretanto, esse mesmo fator quase arrastou o balão após a aterrissagem. ‘‘Precisamos fazer buracos com nossas facas para evitar ser levado pelo vento’’, contou.
France PresseFim da aventuraO balão pousa no Egito depois de 21 dias no ar: Bertrand Piccard e Brian Jones (no detalhe) comemoram a façanhaA dupla passou seis horas aguardando o balão desinflar no calor do deserto enquanto oficiais tentavam identificar o local exato do pouso para enviar os veículos de resgate.
Piccard, apresentando um rosto corado de sol, disse que os 21 dias passados no balão e as seis horas no deserto foram ‘‘maravilhosas’’, enquanto tentava enxugar as lágrimas.
O balão, chamado de Breitling Orbiter 3, pesava quase nove toneladas e tinha a altura da Torre de Pisa, na Itália. ‘‘A mensagem enviada pelos tripulantes do balão dizia: ‘‘A Águia posou’’, informou o vice-diretor Brian Smith aos jornalistas.
O suíço Piccard, cujo pai e avô também quebraram recordes nos ares e na água, e o inglês Jones, entraram para o história no sábado, quando atravessaram uma linha imaginária no norte da Mauritânia, na África, após uma viagem de mais de 20 dias que percorreu 44 mil quilômetros.
Oficiais da Federação Internacional de Aviação deverão analisar a caixa preta do balão. Eles querem verificar se o balão, de fato, não fez nenhuma parada enquanto circulava o globo e que, de fato, a volta ao mundo terminou na Mauritânia antes de reconhecer o feito oficialmente.
Pela travessia recorde, a tripulação do Breitling Orbiter III vai receber do grupo norte-americano Anheuser-Busch um prêmio de um milhão de dólares. A primeira metade desse dinheiro será paga diretamente aos dois aeronautas, Piccard e Jones, e a segunda a uma obra beneficente escolhida por eles.
Os organizadores, os pilotos e o único patrocinador da volta ao mundo em balão, a fábrica de relógios suíça Breitling, rechaçaram revelar o custo da aventura que, segundo estimam os especialistas, se elevaria a mais de 3,5 milhões de dólares.
O custo de um balão como o usado por Bertrand Piccard e Brian Jones varia entre 810.200 dólares e 3,24 milhões de dólares, declarou ontem o construtor Don Cameron, presente no centro de controle da expedição em Genebra.
O balão no qual voaram 46.759 km em 19 dias, 21 horas e 55 minutos, era o mais aperfeiçoado de todos os fabricados por Cameron, o que significa que seu custo chegaria aos 3,24 milhões de dólares.
A esta soma é preciso acrescentar o preço do equipamento interno, os instrumentos de navegação e o combustível. Também devem ser somadas as despesas com transmissões entre o balão e o centro de controle, as autorizações de sobrevôo em 20 países atravessados e as viagens à China de Piccard e seus colegas.
Os dois meteorologistas que guiaram a operação desde Genebra, o belga Luc Trullemans, e o suíço Pierre Eckert, disseram que trabalharam gratuitamente, por amizade a Piccard.
Na lista de despesas devem ser incluídos os gastos de aluguel do avião do patrocinador suíço que sobrevoou o balão desde sua aterrissagem no deserto egípcio, avião no qual viajaram jornalistas, fotógrafos e câmaras cujas imagens devem ser redistribuídas de forma gratuita.
Por sua vez, Stefano Albinati, chefe do projeto em Breitling, se recusou várias vezes a dar o custo aproximado da aventura amparando-se numa política da firma patrocinadora.

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