Bagdá só coopera se o embargo for suspenso
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de novembro de 1998
Faruk Chukri France Presse 
O Iraque ameaçou ontem não reconhecer as resoluções das Nações Unidas, apesar de o secretário geral da ONU Kofi Annan ter pedido, domingo, a Bagdá que voltasse a cooperar com os especialistas em desarmamento para evitar um ataque militar.
Um jornal oficial iraquiano afirmou ontem que Bagdá poderá modificar sua posição em relação à aceitação das resoluções da ONU sobre desarmamento caso o Conselho de Segurança não suspenda o embargo contra sua economia.
O Iraque só aceitou as resoluções 687 e 715 do Conselho de Segurança (que prevêem a eliminação de suas armas de destruição maciça e a vigilância contínua de sua potência nuclear) com a finalidade de acelerar a suspensão do embargo vigente desde 1990, afirma as-Saura, o jornal do Partido Baath (no poder).
Ao negar ao Iraque seu direito de obter a suspensão do embargo, o Conselho poderá levar Bagdá a revisar todas as resoluções que aceitou no passado, acrescenta o jornal, enfatizando que o Iraque não deseja chegar a esta situação.
Um alto responsável iraquiano, o general Alí Hasan al-Majid, convocou os iraquianos para que façam uma mobilização geral para enfrentar os inimigos do Iraque, em um discurso transmitido pela televisão.
No último dia 31, o Iraque deixou de cooperar com a Comissão Especial da ONU encarregada do desarmamento iraquiano (UNSCOM), acusando-a de espionar e atuar em nome dos Estados Unidos com a finalidade de manter as sanções.
O secretário geral da ONU, Kofi Annan, pediu que o governo iraquiano reinicie imediatamente sua cooperação com os inspetores da ONU para evitar uma ação militar. Este reinício deve ser feito por interesse do governo iraquiano, estimou Annan domingo, em Nuakchott, onde iniciou um giro pelo Norte da África.
Um segundo grupo de especialistas da Comissão Especial partiu ontem de Bagdá, dentro de uma retirada decidida por motivos administrativos, declarou Caroline Cross, porta-voz do organismo.


