Bagdá insiste no confronto com os EUA
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quarta-feira, 05 de novembro de 1997
AE-Reuters 
France PressePoder militarTroca de guarda no monumento ao soldado desconhecido, em BagdáEm mais um desafio aos Estados Unidos, o Iraque impediu ontem, pelo segundo dia consecutivo, o ingresso em suas instalações militares de membros americanos da Comissão Especial da ONU encarregada do desmantelamento dos arsenais de armas nucleares, biológicas e bacteriológicas do país.
Uma delegação das Nações Unidas, integrada por três diplomatas, espera resolver o impasse hoje em Bagdá. Seus membros tentarão convencer o presidente iraquiano, Saddam Hussein, a desistir das obstruções ao trabalho dos especialistas.
O aumento da tensão levou o governo do Kuwait a pôr as Forças Armadas em estado de alerta máximo, enquanto a Grã-Bretanha voltava a alertar Saddam. Não está descartada a possibilidade de uma retaliação armada, disse o secretário da Defesa britânico, George Robertson, que realiza visita oficial à Rússia.
Os sete membros americanos da comissão da ONU dirigiram-se ontem às instalações militares iraquianas, mas receberam a mesma resposta do dia anterior: Só os não-americanos terão acesso aos arsenais.
Diante da arbitrariedade, o chefe da Comissão Especial, Richard Butler, optou pela manutenção dos vôos de reconhecimento dos aviões U2 sobre o território iraquiano, apesar das ameaças de Saddam de derrubá-los.
Ontem, foram realizadas duas missões. Segundo especialista, Bagdá dispõe de mísseis com suficiente autonomia de vôo para executar a tarefa. Derrubar um desses aviões, postos à disposição da ONU, será um fato gravíssimo que pode ter consequências funestas para os iraquianos, advertiu o secretário da Defesa americano, William Cohen
Atendendo a um pedido do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, Saddam decidiu ontem adiar o prazo de expulsão dos americanos do Iraque, que expirava hoje.
Segundo o jornal iraquiano Al Qadisiya, órgão oficial do Ministério da Defesa, Saddam irá exigir da delegação o fim do injusto embargo econômico imposto pela ONU e Estados Unidos ao povo iraquiano.
Referindo-se a essa exigência, o porta-voz do Departamento de Estado, James Rubin, repetiu frase dita por ele mesmo na segunda-feira: O presidente iraquiano ainda não entendeu: a ONU não é um bazar.
Annan deixou claro em Nova York que o objetivo da missão não é negociar, mas fazer cumprir as determinações da ONU. Vamos a Bagdá dispostos a ouvir, porém com as resoluções do Conselho de Segurança da ONU nas mãos.
A crise agravou-se no final do mês passado quando o Conselho de Segurança, liderado pelos Estados Unidos, aprovou uma resolução ameaçando o Iraque com novas sanções por obstruções aos trabalhos da comissão de desarmamento. Em resposta, o governo iraquiano disse não desejar um confronto com a ONU, mas exigiu a exclusão dos membros americanos das equipes de inspeção.


