O Iraque, determinado a desafiar os Estados Unidos, recusou ontem qualquer tipo de cooperação com a Comissão Especial da ONU encarregada do desarmamento iraquiano (Unscom) e exigiu o fim do embargo econômico, imposto há mais de oito anos.
‘‘Já não é mais aceitável ver a Unscom se dedicar a atos de espionagem no Iraque, enquanto o embargo é mantido’’, afirmou em editorial o jornal governamental Al-Jumhuriya.
Estas afirmações foram formuladas após declaração do vice-presidente iraquiano Taha Yassin Ramadan, terça-feira à noite, de que ‘‘os aviões iraquianos sobrevoam normalmente as zonas de exclusão aérea instauradas no norte e no sul do Iraque pelos aliados ocidentais, depois da Guerra do Golfo, em 1991’’.
Ramadan afirmou que seu país ‘‘seguirá enfrentando toda violação’’ dos aliados nas zonas de exclusão aérea, e advertiu que a ‘‘invasão (do espaço aéreo iraquiano) constitui a continuação da agressão anglo-americana contra o Iraque’’.
O jornal Al-Jumburiya afirma que ‘‘é tempo de os membros do Conselho de Segurança (da ONU) repensarem o levantamento do embargo imposto ao povo iraquiano, antes de se posicionar sobre qualquer outro assunto’’.
O parlamento iraquiano afirmou recentemente que Bagdá ‘‘cumpriu todos os compromissos com a ONU’’, em matéria de desarmamento e exigiu que o Conselho de Segurança levante o embargo petroleiro, ‘‘como primeiro passo para o fim completo das sanções’’.
Apesar de ter sua capacidade militar reduzida na Guerra do Golfo e nas intervenções lideradas pelos EUA nos últimos anos, especialistas em análises de arsenais estimam que a Força Aérea iraquiana conta ainda com pelo menos 30 caças MiG, de fabricação soviética, e dezenas de lançadores de mísseis terra-ar SA-2, também fabricados pela ex-União Soviética.
O presidente russo, Boris Yeltsin, um dos mais ferrenhos opositores das ações militares dos EUA no Iraque, telefonou ontem para seu colega americano, Bill Clinton, reiterando que os ataques contra o território iraquiano são qualificados de ‘‘inaceitáveis’’ por Moscou.

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