Bagdá coloca a Força Aérea em alerta
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domingo, 09 de novembro de 1997
AE-Reuters Bagdá 
France PressePopulação nas ruas por SaddamO Iraque pôs a Força Aérea em estado de alerta máximo e está convocando a população a armar-se para defender a soberania do país de um possível ataque dos Estados Unidos, em decorrência da insistência de Bagdá em vetar a presença de americanos na comissão das Nações Unidas encarregada de inspecionar as instalações militares iraquianas.
Altos funcionários do Pentágono deixaram claro que os EUA estão avaliando as opções militares no caso de o Iraque levar a cabo sua ameaça de abater o avião de reconhecimento U-2, que Washington pôs à disposição da comissão de desarmamento da ONU. Está prevista uma missão do U-2 na segunda-feira.
A televisão iraquiana interrompeu ontem várias vezes a programação para convocar a população. Toda pessoa que queira participar como voluntária deve dirigir-se aos centros da Federação Geral da Juventude, informava o locutor. A federação informou que os iraquianos responderam em massa ao chamado. O comando militar garantiu que a aviação está pronta para enfrentar uma nova agressão dos EUA.
Ontem, pelo sexto dia consecutivo, o Iraque impediu o trabalho das equipes da Comissão Especial da ONU (Unscom), integradas por americanos.
O enviado da ONU, o sueco Jan Eliasson, declarou que a insistência de Bagdá em bloquear os americanos pode resultar num conflito armado de terríveis consequencias. Ele se referiu à escalada da crise entre os dois países como uma corrida para ver quem desiste primeiro. Saddam Hussein baniu a presença dos americanos na equipe da ONU no dia 29, alegando que eles estavam tentando pressionar a Unscom a não dar ao Iraque uma avaliação positiva sobre suas instalações, impedindo assim o levantamento do embargo imposto a Bagdá após a invasão iraquiana do Kuwait, em 1990.
Atendendo a um chamado de Saddam, 3 mil pessoas saíram ontem às ruas em Bagdá, entoando canções patrióticas e gritando slogans contra os Estados Unidos.
Eliasson observou que o Iraque se encontra em condições deploráveis, a pobreza é evidente para qualquer visitante e só tende a piorar, a menos que Bagdá mude de tom.
Amanhã haverá uma reunião em Nova York entre o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, e seus três emissários que voltaram de Bagdá. Os emissários, que não conseguram convencer Bagdá a deixar de barrar os americanos, também informarão ao Conselho de Segurança o resultado de sua missão.
O presidente francês, Jacques Chirac, advertiu em Londres que qualquer reforço das sanções deve vir acompanhado de incentivos para que o Iraque coopere com o trabalho da Unscom, permitindo assim o levantamento das restrições já impostas ao país. Essa proposta coincide com a de Aziz aos enviados da ONU e provavelmente será encaminhada por ele nos encontros na ONU.
Entretanto, os EUA e a Grã-Bretanha parecem dispostos a exigir que se declare o Iraque em violação material da resolução de 1991 que pôs fim à Guerra do Golfo. Uma declaração como essa significaria que o Iraque violou o cessar-fogo e isso poderia abrir caminho para o uso da força militar contra o país.


