Bagdá - Bagdá acusou ontem Washington de tentar sabotar o processo de inspeção de armamento ao argumentar que os disparos da defesa iraquiana nas zonas de exclusão violam a resolução 1441 do Conselho de Segurança.
''Os Estados Unidos querem montar uma armadilha e provocar o fracasso da missão dos inspetores da ONU para que estes não revelem suas mentiras'', escreve o jornal governamental Al-Jumhuriya.
A interprestação americana da resolução está destinada a ''preparar uma agressão contra o Iraque'', prossegue o jornal, em reação às múltiplas declarações americanas sobre os disparos iraquianos contra aviões que sobrevoam as zonas de exclusão do Iraque.
Segundo um especialista político em Bagdá, a flexibiliade exibida pelo Iraque depois de sua aceitação desta resolução aborreceu muito a administração de George W. Bush. A boa vontade do Iraque e seu desejo de cooperar com os chefes dos inspetores surpreendeu Washington, que preferia uma crise entre Bagdá e ONU.
Dessa forma, o Iraque acha que deu o primeiro passo para demonstrar ao mundo que já não possui armas de destruição em massa. ''Cedo ou tarde, o mundo vai estar certo da honestidade do Iraque e da veracidade de suas palavras quando afirma que não possui armas de destruição em massa'', escreve o jornal As Saura, órgão do partido Baath no poder.
Ontem, aviões de combate americanos bombardearam três defesas antiaéreas no Sul do Iraque, pela terceira vez esta semana, em resposta ao fogo iraquiano contra aviões da coalizão britânico-americana que patrulham a zona de exclusão aérea. O contra-almirante David Gove disse que foi registrado um ''pico'' na quantidade de disparos iraquianos contra aviões da coalizão desde que o Conselho de Segurança aprovou, no último dia 8, a resolução que retoma as inspeções.
Em meio a fortes medidas de segurança, Praga receberá a partir de amanhã os chefes de Estado e de Governo dos países da Otan, que celebará uma cúpula consagrada à ampliação da Aliança, mas visivelmente preocupada com a tensão no Iraque.
Ausente da agenda oficial desta cúpula histórica, o Iraque estará presente, no entanto, à reunião. O presidente George W. Bush em sua chegada ontem a Praga, enfatizou o interesse de conversar sobre a crise com seus sócios da Aliança. Bush recordou aos preocupados dirigentes da Otan que seu apoio ao desarmamento do Iraque poderá diminuir a necessidade de uma ação militar. ''Se for tomada a decisão de usar a força militar, consultaremos nossos amigos e esperamos que nossos aliados se unam a nós'', disse Bush.

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