Bachelet se mantém popular ao evitar erros de Bush
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sábado, 13 de março de 2010
Marcia Soman Moraes<BR>Folhapress 
São Paulo - A ex-presidente do Chile Michelle Bachelet deixou o cargo na semana passada com índice de aprovação de 84% dos chilenos, um número que permaneceu intacto mesmo após as duras críticas da oposição por sua reação ao terremoto de magnitude 8,8, que matou ao menos 497 pessoas no dia 27 de fevereiro.
O segredo, afirmam especialistas, foi a presença simbólica de Bachelet nas zonas mais afetadas pelo terremoto e o discurso tranquilizador à população, mesmo em meio aos saques, violência e a demora para a chegada de ajuda humanitária aos desabrigados. ''O povo busca compaixão, comprometimento e capacidade de administração em seu líder'', disse Richard Olson, cientista político especialista em desastres e ex-funcionário da Usaid, agência americana de ajuda a países.
Olson cita um exemplo claro de ação errada após um desastre: a forma como o então presidente americano George W. Bush reagiu à passagem do furacão Katrina por Nova Orleans, que deixou 1.836 mortos. Ele demorou a visitar a região destruída pelos fortes ventos do Katrina e, quando o fez, apenas sobrevoou a área. ''O risco é a perda de popularidade, que pode ocorrer muito rápido.''
O mesmo erro foi cometido pelo presidente haitiano, René Prevál. Pouco depois do terremoto de magnitude 7 que devastou a capital do país, deixou mais de 230 mil mortos e 2 milhões de desabrigados, muitos se perguntavam onde estaria o líder da nação.
No caso de Prevál, há um fator atenuante. A tragédia atingiu diretamente a sede do governo. Parte do Palácio Presidencial foi destruído e o presidente transformou parte de uma delegacia em sede provisória de governo. Muitos funcionários públicos estavam entre as vítimas ou buscando notícias sobre parentes e amigos.


