Bachelet deixa governo com popularidade alta, apesar da crise e do terremoto
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terça-feira, 09 de março de 2010
France Presse 
A presidente do Chile, Michelle Bachelet, que entrega o cargo amanhã a Sebastián PiÀera, chega com 84% de popularidade ao fim de um mandato de quatro anos muito complicado, no qual precisou enfrentar a crise financeira e, especialmente, um terremoto devastador que arrasou duas regiões do país.
Carismática, considerada uma espécie de ''mãe dos chilenos'', esta pediatra deixa a presidência no auge da popularidade que, paradoxalmente, caiu na época das vacas gordas e depois, subiu vertiginosamente quando a crise econômica alcançou o Chile.
Alçada ao poder em 2006, após derrotar nas urnas o hoje vitorioso PiÀera, Bachelet teve um começo cheio de tropeços, com protestos de estudantes de colégio - apelidados de pinguins, por causa da cor de seus uniformes -, que puseram em xeque o seu governo com um apelo por melhor educação.
A situação se complicou ainda mais para ela, que herdou o Transantiago, um sistema de transporte para a capital chilena que foi caótico em seu início. Na época, sua popularidade caiu para 35%, mas revelou uma faceta que em seguida a ajudou: assumir a responsabilidade política pelos erros.
Todo o início de seu governo foi marcado por uma bonança econômica que lhe trouxe mais problemas que benefícios: Bachelet manteve uma disciplina fiscal para a época das vacas magras e quando a crise chegou, no fim de 2008, o Chile estava preparado.
O crédito político, no entanto, não foi suficiente para endossar seu candidato presidencial, o ex-presidente Eduardo Frei e, assim, a direita voltou a vencer eleições depois de 50 anos.
Doze dias antes de deixar o cargo, um terremoto seguido de uma tsunami, que deixaram 800 mortos e desaparecidos, marcaram o final de sua presidência. Na ocasião, ela recebeu muitas críticas pela demora em enviar ajuda e em militarizar áreas onde os saques se generalizaram, mas ainda assim sua popularidade se manteve intacta, segundo pesquisa de opinião publicada ontem.
Para o cientista político Guillermo Holzmann, Bachelet ''tem três grandes eventos negativos: o terremoto, o Transantiago e os 'pinguins'''. Mas ele ressalta que ''o positivo foi ter instalado a proteção social como agenda política com coisas concretas relacionadas às crianças, à terceira idade e às mulheres''.
Com todo o governo de PiÀera pela frente, Holzmann estima que a questão do terremoto pode novamente atravessar o caminho de Bachelet na próxima eleição. ''A situação pós-sismo a deixa com menos projeção para uma eleição presidencial porque o terremoto instala a reconstrução nacional como questão prioritária da agenda e, com isso, as lideranças políticas ficam limitadas à espera dos resultados da reconstrução'', avalia.


