'Baby Doc' está desaparecido
O ex-ditador haitiano Jean-Claude Duvalier, conhecido como Baby Doc, que vivia há doze anos exilado na França, desapareceu sem deixar rastros. As autoridades desconhecem seu paradeiro desde a semana passada, informou ontem o canal de televisão France 2. No entanto, o advogado de Duvalier, Sauver Vaisse, afirmou que o ex-ditador continua na França. Ontem mesmo (segunda-feira) falei com pelo telefone, disse.
Segundo a imprensa francesa, Baby Doc teria fugido temendo as investigações judiciais contra ele. Grupos opositores haitianos, que também vivem no exílio na França, já teriam iniciado os trâmites para que o ex-presidente de fato respondesse, diante da justiça, pelos delitos contra a humanidade cometidos durante o regime de terror que instaurou no Haiti.
Supostamente, Duvalier chegou na França, em 1986, sem visto, razão pela qual estaria vivendo ilegalmente no país. O ex-ditador, que dispunha de uma enorme fortuna, teve problemas de ordem econômica e se viu obrigado a abandonar, em 1993, uma mansão emprestada por amigos na Côte dAzur. Passou a viver então em Paris, em um apartamento alugado por seus sogros.
Julgamento Exilados haitianos disseram ontem que querem levar a julgamento Jean-Claude Baby Doc por crimes contra a humanidade, mas o ex-ditador caribenho afirmou a seu advogado que achava a ameaça engraçada. O advogado, Sauveur Vaisse, disse que falou por telefone com Duvalier, 47 anos. Ele achou tudo isso na verdade engraçado. Ele não entende porque eles querem que ele assuma responsabilidade por atos de seu pai (François Papa Doc Duvalier), afirmou Vaisse.
Autoridades francesas dizem que não sabem do paradeiro de Duvalier. O poeta Gerard Bloncourt, 72 anos, porta-voz de um pequeno grupo de exilados haitianos, afirmou que eles querem que Baby Doc responda por 60.000 assassinatos cometidos durante os 15 anos de seu regime e os 14 anos do governo anterior de seu pai.
Ele disse que pessoas estavam sendo torturadas e assassinadas nos porões do Palácio Presidencial de Porto Príncipe mesmo às vésperas da partida de Baby Doc para o exílio na França em 1986.
A ameaça de buscar o julgamento de Duvalier coincide com cerimônias em Paris para marcar os 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.France PresseNa foto de arquivo, Baby Doc sentado diante de seu pai, Papa DocDPA e Reuters





