Um dia após ser indiciado por corrupção e enriquecimento ilícito, o ex-presidente haitiano Jean-Claude "Baby Doc" Duvalier foi denunciado nesta quarta-feira por crimes contra a humanidade supostamente cometidos no seu governo, entre 1971 e 1986.

As novas acusações contra Duvalier, que regressou ao Haiti no último domingo após 25 anos de exílio na França, foram feitas pela ex-porta-voz da ONU Michele Montas e por outros três haitianos presos durante a sua gestão.

Montas disse à agência France Presse ter requerido formalmente a abertura de um processo para apurá-las. Ela afirma que as acusações incluem detenção arbitrária, destruição de propriedade privada e tortura.

Montas é uma proeminente ativista e jornalista haitiana e foi porta-voz do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

A acusação ocorre um dia após promotores haitianos indiciarem Duvalier por corrupção e enriquecimento ilícito. Um juiz decidirá se abrirá processo para analisar as denúncias.

Direitos humanos

As novas acusações atendem a pedidos de organismos internacionais de direitos humanos, que pressionam para que o ex-líder seja julgado por supostamente ter ordenado a tortura e a morte de milhares de haitianos.

Duvalier, 59, assumiu o poder no Haiti aos 19 anos de idade, após a morte de seu pai, François Duvalier, líder conhecido como "Papa Doc", que governou o país entre 1957 e 1971.

Baby Doc é considerado responsável pela saída de mais de 100 mil pessoas do país durante seus 15 anos no poder, quando se declarava "presidente vitalício".

A milícia que o protegia, os Tontons Macoutes, é acusada de inúmeras violações dos direitos humanos.

Ele foi deposto por um levante popular em 1986 e, durante entrevista de rádio em 2007, pediu perdão ao povo haitiano por "erros" cometidos durante seu governo.

Eleições

O retorno de Duvalier aconteceu no dia exato em que deveria ocorrer o segundo turno das eleições presidenciais no Haiti, mas a votação foi adiada por causa de uma disputa em torno dos nomes que deveriam constar na cédula eleitoral.

O candidato governista, Jude Celestin, e o cantor Michel Martelly querem participar do segundo turno com a ex-primeira-dama Mirlande Manigat, considerada vencedora do primeiro turno, em 28 de novembro, em uma votação criticada devido a relatos de fraude, violência e intimidação de eleitores.

Resultados provisórios anunciados em dezembro pelo conselho eleitoral apontavam Celestin como o segundo colocado, com pequena vantagem sobre Martelly.

Mas os resultados provocaram protestos violentos por parte de partidários de Martelly, que alegou ter perdido o segundo lugar por causa de fraudes.

Há quem veja o retorno de Baby Doc ao Haiti como uma tentativa de eleger Martelly, mas o ex-presidente ainda não expôs oficialmente quem seria seu preferido na corrida eleitoral.

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