O ministro italiano do Tesouro, Carlo Azeglio Ciampi, arquiteto da adesão da Itália à moeda comum européia, foi eleito ontem chefe de Estado, numa das mais rápidas eleições presidenciais da história do país. Políticos de esquerda e direita concluíram que Ciampi, de 78 anos, é o homem certo para ajudar a promover as reformas institucionais de que o país necessita.
‘‘Estou honrado com a escolha’’, reagiu o ex-primeiro-ministro, chefe da pasta do Tesouro em dois governos de centro-esquerda desde 1996. ‘‘Espero estar à altura’’, acrescentou o primeiro não-parlamentar eleito presidente em cinco décadas. Ele admitiu estar ‘‘profundamente emocionado’’.
O primeiro-ministro Massimo D’Alema deve escolher Giuliano Amato para substituir Ciampi no Tesouro. Amato ganhou o respeito dos mercados por tomar a ousada decisão de ordenar grandes cortes de gastos quando foi primeiro-ministro, em 1992-1993.
Ciampi, que não se alinha com nenhum partido, foi eleito logo na primeira votação, algo que só aconteceu em outras duas das dez eleições presidenciais da república italiana (uma das quais só foi resolvida depois de 23 votações). Ele recebeu o voto de 707 dos 990 ‘‘grandes eleitores’’ (parlamentares e representantes regionais) que participaram da eleição.
Entretanto, num país fanático pelo futebol, não faltaram votos para jogadores e cartolas. Receberam um voto cada um o ex-astro do Napoli Maradona (apoiado provavelmente por um representante regional de Nápoles), o presidente da Inter de Milão, Massimo Moratti, o dono da Fiorentina, Cecchi Gori, e um brasileiro, o zagueiro Antonio Carlos, da Roma.
O mandato de sete anos do atual presidente, Oscar Luigi Scalfaro (que precisou de 16 votações para ser eleito em 1992, num turbulento clima político marcado por assassinatos da Máfia) termina no dia 28. No entanto, o subsecretário do Tesouro, Giorgio Macciotta, disse que Ciampi será empossado já na terça-feira, indicando que Scalfaro renunciará para facilitar a transição.
O presidente é a única pessoa que pode dissolver o Parlamento, convocar eleições e indicar o primeiro-ministro - um trabalho frequente na Itália, que já teve 56 governos desde 1945.

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