Karim Saheb/France PressePrecauçãoDiante da ameaça de racionamento de energia elétrica que viria com uma guerra, a população de Bagdá trata de comprar lampiões Os Estados Unidos anunciaram ontem que o avião espião U2 voltará hoje a sobrevoar o Iraque, reprisando missão de reconhecimento de instalações e poderio militar, desenvolvida na semana passada e que causou veementes protestos de Bagdá e ameaça de retaliação. Washington ressaltou que qualquer ataque à aeronave acarretará uma dura resposta militar imediata. O ministro iraquiano das Relações Exteriores, Mohamad Said al Sahhaf, acusou o chefe da Comissão Especial da ONU para o Desarmamento do Iraque (Unscom), Richard Butler, de ter ordenado o novo vôo do U2 para, de forma camuflada, ‘‘preparar uma eventual agressão norte-americana’’.
O Iraque continuava tomando providências ontem para resistir a um ataque dos EUA, enquanto Washington prosseguia tentando convencer seus aliados da necessidade de uma resposta contundente à expulsão de seus inspetores responsáveis pelo programa de desarmamento iraquiano. As autoridades iraquianas começaram ontem a racionar combustível destinado aos veículos particulares e as filas se multiplicavam nos postos de gasolina de Bagdá.
Enquanto isso, a população está tratando de se precaver também com relação a um possível racionamento de energia elétrica, que seria decretado diante de qualquer ataque, e está comprando lampiões na Capital e nas cidades do interior.
O ministro Sahhaf confirmou sexta-feira à noite que centenas de iraquianos haviam-se dirigido a fábricas e outras instalações para servir de escudos humanos para a defesa de Saddam Hussein. Sahhaf não esclareceu se estas instalações são de armas. Um alto dirigente militar indicou em Washington que chega a mais de 200 o número de locais onde o Iraque poderia armazenar ou desenvolver armas nucleares, biológicas e químicas.
Apelo‘‘Não buscamos o confronto, mas os norte-americanos e seus serviçais, os britânicos, podem lançar uma agressão militar a qualquer momento’’, estimou o chefe da diplomacia iraquiana. Fazendo aumentar a tensão, o jornal oficial iraquiano ‘‘Babel’’ pediu ontem às organizações árabes pró-iraquianas para que ataquem os interesses norte-americanos e britânicos em todo o mundo árabe, para expressar seu apoio ao Iraque.
O presidente norte-americano, Bill Clinton, afirmou anteontem que queria, ‘‘com vigor’’, priorizar a opção diplomática ‘‘nos próximos dias’’, mas não disse qual o tempo que concedia às últimas gestões antes de recorrer à força. Rússia e China lembraram ontem sua oposição ao uso da força contra o Iraque em nome da ONU, enquanto o presidente da França, Jacques Chirac, declarou ‘‘lamentar a obstinação dos dirigentes iraquianos’’.
Os EUA enviaram sexta-feira o porta-aviões USS George Washington ao Golfo, onde já contam com 17 navios, entre eles outro porta-aviões, o Nimitz, e seis outros equipados com mísseis de cruzeiro Tomahawk. A Grã-Bretanha mandou ao Mediterrâneo seu porta-aviões HMS Invincible. Em Nova York, o secretário geral da ONU, Kofi Annan, afirmou anteontem que as ‘‘próximas medidas’’ para obrigar o Iraque a cumprir suas obrigações seriam decididas em 48 horas.
O vice-primeiro-ministro iraquiano, Tarek Aziz, deu a entender ontem em Paris que as armas iraquianas de destruição maciça não são mais operacionais e disse que as acusações norte-americanas sobre esta questão ‘‘só visam impedir a suspensão das sanções’’ impostas a seu país desde a Guerra do Golfo, em 1991.

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